GOVERNO FAZ ACORDO COM WAIMIRI ATROARI PARA LINHÃO DE ENERGIA ENTRE MANAUS-BOA VISTA
Linhão de Tucuruí prevê centenas de torres em território indígena para
integrar Roraima ao Sistema Interligado Nacional
Representantes
da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ministério da Justiça e do Ministério
de Minas e Energia se comprometeram a cumprir o protocolo de consulta prévia,
livre e informada elaborado pelo povo Kinja, como se autodenominam os indígenas
waimiri atroari, em relação ao projeto de implementação de trecho da linha de
transmissão de energia Manaus-Boa Vista.
A
obra, que integra o chamado Linhão de Tucuruí, prevê a instalação de centenas
de torres no interior do território indígena para integrar o estado de Roraima
ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
O
encontro ocorreu na terra indígena Waimiri Atroari, no Amazonas, no dia 11 de
setembro, e contou com a participação de lideranças indígenas, de procurador do
Ministério Público Federal (MPF/AM) e representante da Casa Civil da
Presidência da República e de gestores do Projeto Waimiri Atroari (PWA).
Na
ocasião, o atual presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier, recebeu das mãos
de Mario Parwé, principal liderança da etnia, o protocolo de consulta produzido
pelo povo Waimiri Atroari. Xavier informou que está prestes a ser concluída a
tradução do Estudo do Componente Indígena (ECI) relativo à linha de transmissão
para a língua nativa dos indígenas. O documento, que deve apontar uma análise
fundamentada acerca dos impactos socioambientais decorrentes do empreendimento,
deve ser entregue na próxima semana aos indígenas para análise, segundo Xavier.
Além
do presidente, servidores do corpo técnico da Funai também se manifestaram
durante o encontro, afirmando que o protocolo de consulta será seguido
exatamente do jeito que está descrito pelos indígenas e que a autarquia está à
disposição para esclarecer sobre os documentos e etapas do processo de
licenciamento ambiental da obra. O compromisso com o respeito rigoroso ao
protocolo também foi manifestado pelos representantes do Ministério da Justiça,
do Ministério de Minas Energia e da Casa Civil presentes na reunião.
Atuação judicial
O
procurador da República Igor Spindola ressaltou que o protocolo de consulta,
baseado na Convenção nº 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
deve ser observado de forma irrestrita, conforme a vontade dos indígenas,
inclusive para que não se alongue a demanda que já está judicializada. A
necessidade de consulta prévia, livre e informada ao povo Waimiri Atroari
motivou o MPF a ajuizar duas ações a fim de impedir o prosseguimento das
medidas para implementação do trecho do Linhão de Tucuruí.
Nos
dois processos, a Justiça Federal em Manaus deu razão ao MPF, ordenando a
anulação do leilão para a execução da obra, que teve como vencedora a
concessionária Transnorte Energia. Também foi anulada a licença prévia
concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis
(Ibama).
Em
junho deste ano, os processos chegaram à segunda instância e as ações foram
julgadas em conjunto pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região
(TRF1), em Brasília. Apesar de maioria dos desembargadores ter votado contra a
nulidade do leilão do empreendimento, defendida pelo Ministério Público Federal
(MPF), todos reconheceram que os indígenas deverão ser consultados antes da
próxima etapa do licenciamento ambiental.
A
5ª Turma, formada pelos desembargadores Antonio Souza Prudente, Daniele
Maranhão e Carlos Pires Brandão, por dois votos a um afirmou a validade tanto
do leilão quanto da licença prévia. Pelo Código de Processo Civil, como não
houve resultado unânime na apreciação dos processos na 5ª Turma, o julgamento
deve continuar, dessa vez com cinco desembargadores, para que o Tribunal aponte
uma conclusão sobre os casos e apresente decisão sobre o pedido da nulidade do
leilão e sobre o momento de realização da consulta.
Perguntas e respostas
Para
esclarecer os principais pontos questionados em relação ao projeto e as
repercussões das ilegalidades apontadas nas ações, o MPF publicou documento com
perguntas e respostas pontuais no qual esclarece questões importantes sobre o
caso de violação dos direitos indígenas na elaboração do projeto de construção
da linha de transmissão de energia Manaus-Boa Vista.
Além
de explicar o principal motivo pelo qual pede a anulação do projeto, o órgão
aponta no documento a falta de interesse do Estado brasileiro de considerar
outras alternativas de traçado para a linha de transmissão ou mesmo de outras
modalidades energéticas mais viáveis para sanar o problema vivenciado pelo
estado de Roraima, e explica também que a consulta não poderia ser feita
somente agora – já com todo o projeto pronto – para mera regularização da obra.
“Como o procedimento de consulta não foi observado no início, o leilão é nulo,
e isso não pode ser corrigido no presente momento. Assim, a consulta não pode ser
encarada como um procedimento meramente homologatório de uma decisão já
tomada”, explica o MPF no texto.
Fonte/Foto: Portal DeAmazônia/Divulgação


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