Foi um dia de meme stocks na B3: entre as cinco empresas que mais subiram nesta quinta estão BRF (a líder do dia), Minerva, Via, Hapvida e Magazine Luiza. VIIA3 e MGLU3 são representantes clássicos de ações meme, aquelas que caíram nas graças do investidor pessoa física e monopolizavam as discussões no Twitter. Vamos começar pela BRF. Hoje a empresa meio que confirmou uma reportagem do Valor Econômico sobre um plano da empresa de levantar R$ 2 bilhões passando créditos para frente (como precatórios e recebíveis) em uma negociação com o BTG. A dona da Sadia e da Perdigão disse à B3 que trabalha em um plano de vendas de ativos, já comunicado ao mercado, mas que não há nenhum contrato fechado e nem certeza sobre o valor a receber. Investidores se agarraram ao “ainda” que ficou implícito na mensagem e compraram BRFS3 de baciada: o papel subiu 11,76% hoje. Tudo porque, se concretizada, a medida tem potencial para reduzir o elevado endividamento da companhia. A BRF tem R$ 15,3 bilhões em dívida líquida, o que equivale a uma alavancagem de 3,35 vezes. Alavancagem é a divisão da dívida líquida pelo Ebitda (uma espécie de lucro operacional). Significa que, para pagar a dívida, a empresa precisaria de mais três anos de resultados equivalentes aos atuais. É muito para os padrões do mercado. Mas a BRF não foi o único frigorífico no top 5. A companhia foi seguida de perto pela Minerva ( BEEF3), que avançou 6,92%. O dia de recuperação do dólar foi uma das explicações, já que a depreciação do câmbio eleva a receita em reais de empresas exportadoras. A BRF não é bem uma meme stock, mas pode entrar no personagem com sua história rocambolesca. A companhia foi criada com a fusão das concorrentes Sadia e Perdigão após a crise de 2008, e sempre viveu sob o fio da navalha e protagonizando históricas rocambolescas ( relembre aqui) até que Marcos Molina, dono da Marfrig, decidiu tomar a companhia de assalto. Depois de toda a pirotecnia, a ação da empresa caiu para o menor patamar da história. VIIA3 e MGLU3 No auge do fenômeno meme stocks, a Via brilhava. Chovia gente no Twitter fazendo trocadilhos infames com o ticker da ação, tentando empurrar o papel para o mesmo fenômeno que a Magazine Luiza protagonizava. A Magalu, até 2021, era a nossa “big tech”, a empresa que tinha feito uma transformação digital perfeita e que seria o grande e-commerce brasileiro, a nossa Amazon. A alta de juros para conter a inflação e a própria inflação se encarregaram de derrubar os resultados das varejistas e, de quebra, sepultar a euforia desmedida. Depois de mergulharem para algo que se parece com fundo do poço, agora elas reagem a estímulos mais concretos: a expectativa de redução de taxas de juros, por exemplo. A aprovação da urgência na tramitação do novo arcabouço fiscal reduz os juros futuros, aliviando o bolso de empresas endividadas (como a Via e a BRF, que já falamos). E uma faixa-bônus é que o crédito que varejistas concedem a consumidores para a compra da geladeira ou da TV nova também fica mais viável. Uma luz começa a aparecer no fim do túnel e as ações sobem. A Via fechou como a terceira maior alta do dia (+6,16%); a Magalu ficou em quinto lugar, +5,06%. E o Ibovespa avançou 0,59%, a 110.108 pontos É a primeira vez desde 1º de fevereiro que o índice recupera esse patamar simbólico. Uma cortesia de Nova York, que decidiu se encher de esperanças com a negociação pelo aumento do teto da dívida. O Congresso americano avançou nas negociações para votar uma elevação na dívida antes que o mês vire. Sem acordo, os EUA podem dar um calote na dívida, com risco de bomba atômica em escala global. Wishful thinking talvez seja mesmo o melhor caminho. Até amanhã. Maiores altas BRF (BRFS3): 11,76% Minerva (BEEF3): 6,92% Via (VIIA3): 6,16% Hapvida (HAPV3): 5,75% Magazine Luiza (MGLU3): 5,06% Maiores baixas BB Seguridade (BBSE3): -2,00% Eletrobras (ELET6): -2,00% SLC Agrícola (SLCE3): 1,94% Gol (GOLL4): -1,73% Eneva (ENEV3): -1,32% Ibovespa: 0,59%, a 110.108 pontos Nova York Dow Jones: 0,34%, a 33.536 pontos S&P 500: 0,94%, a 4.198 pontos Nasdaq: 1,51%, a 12.689 pontos Dólar: 0,68%, a R$ 4,9680 Petróleo Brent: -1,43%, a US$ 75,86 WTI: -1,30%, a US$ 71,94 Minério de ferro: 1,91% a US$ 106,10 por tonelada na bolsa de Dalian, na China |
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