É a hora da verdade: daqui a pouco, às 9h30, os americanos vão conhecer o CPI de abril – a versão deles do IPCA. Essa não é a leitura de inflação favorita do Fed. Powell e companhia preferem outro índice, o PCE, que só sai no final do mês e apresenta menos distorções. Mas é claro que o CPI, sendo o indicador oficial, é mais do que o suficiente para aplacar a ansiedade de Wall Street em um mês chave, em que está em jogo o fim do ciclo de alta nos juros nos Estados Unidos. Estima-se que os preços tenham subido 0,1% de março para abril, uma desaceleração considerável em relação ao intervalo de fevereiro para março, quando houve alta de 0,4%. O núcleo (que desconta preços voláteis de energia e alimentação) deve registrar 0,4%, repetindo o desempenho anterior. Nos últimos 12 meses, a leitura deve ficar em 5,5%, só um pontinho percentual abaixo dos 5,6% do mês anterior, e ainda longe da meta de 2% do Fed. Se os dados vierem dentro dessas expectativas, o pregão já vai abrir feliz. É que esses números provavelmente são suficientes para evitar que o comitê de política monetária americano aprove mais uma alta de 0,25 ponto percentual na “Selic” deles na próxima reunião, em junho. Os coletinhos de Nova York põem fé nesse desfecho: no momento, a plataforma de monitoramento do CME Group fala em 84,5% de chance de que os juros permaneçam estáveis no encontro junino. É que, embora a inflação ainda esteja longe da meta, há duas sutilezas para se levar em consideração. A primeira é que a mera manutenção da taxa de juros acima dos 5%, mesmo que não haja mais incrementos, já é um enorme freio de mão puxado para a atividade econômica. A segunda é que altas mais recentes ainda não tiveram tempo de manifestar seus efeitos, já que juros agem com delay: você planta uma alta agora e só colhe as quedas na inflação daqui três ou quatro meses. Os futuros de Nova York amanheceram no vermelho. Não refletem só a tensão dos investidores com o CPI, mas também o impasse com o estouro do teto da dívida pública americana, que veio assombrar uma galera já acuada pela crise no setor bancário e outras agruras econômicas. No Brasil, os dados de produção industrial de março do IBGE, às 9h da manhã, não devem emocionar: espera-se que subam 1%, mas é uma subida do estilo “não fez mais que a obrigação”, após as leituras de 0,2%, -0,3% e -0,1% em fevereiro, janeiro e dezembro. O que o faria limer quer mesmo é acompanhar as entrevistas do Galípolo – que foi indicado para a diretoria de política monetária do Banco Central, um cargo que lhe dá voto no Copom. Vem aí mais uma, na BandNews, às 16h30.
Nossa leitura de inflação de abril chega na sexta (12), e um mero comentário otimista de Tebet sobre o IPCA foi suficiente para alavancar as ações de varejistas no pregão de ontem: o mercado pensou que ela tinha spoilers fresquinhos dos bastidores do IBGE. Nada disso. A ministra disse que se baseou na leitura do Focus, e que sua fala é só uma previsão mesmo – nada de informação privilegiada. Bom pregão a todos! |
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