O mercado financeiro entrou em agosto um tanto quanto tímido após a farra de julho. Nos Estados Unidos, os índices tiveram o melhor mês desde 2020 e, por aqui, o Ibovespa subiu 4,69% no mês passado, com a disparada da Petrobras – 23% no mês, quase metade disso após anunciar seu dividendo-monstro no meio do penúltimo pregão de julho (R$ 6,73 por ação – yield de 21,5% sobre o preço do dia anterior).
Agora, investidores esperam a próxima música com cautela. Podem vir por aí novos toques eletrizantes de commodities em alta e balanços generosos, ou algo um pouco mais fúnebre, com ares de recessão.
A segunda já começou com dados negativos: quedas na atividade das indústrias na China e na Europa, segundo o PMI (sigla em inglês para Índice dos Gerentes de Compras). Ele é calculado com base em um relatório que os responsáveis pelas compras do setor da indústria preenchem. O objetivo é identificar as tendências do setor ouvindo quem trabalha na área, traduzindo isso em pontos, de zero a 100. Só que o zero ali não é o zero. É o 50. Se der mais do que 50, verificou-se uma tendência de alta. Menos de 50, uma de baixa.
PMI industrial de julho:

Alemanha: caiu de 52 para 49,3 pontos

Reino Unido: caiu de 52,8 para 52,1 pontos

Zona do Euro: caiu de 52,10 para 49,8 pontos
(Na Europa, os dados estão no menor nível em 25 meses)

China: caiu de 51,7 para 50,4 pontos
Além disso, os futuros nos EUA amanheceram olhando para baixo: -0,21% para o S&P 500 às 7h48.
Só iremos reconhecer mesmo a batida na sexta, com o payroll americano, que irá retratar a saúde do mercado de trabalho dos EUA em julho. O baixo desemprego no país, atualmente em 3,6%, tem sido o argumento de economistas e membros do governo Biden para rechaçar a hipótese de já estarem em recessão, após duas quedas seguidas do PIB trimestral (-1,6% e -0,9%) na primeira metade de 2022. O movimento em si configura recessão técnica, mas economistas argumentam que é necessário olhar para demais fatores além dos números em si.
Com um pouco menos de emoção, o Banco Central define a nova alta da Selic na quarta-feira. Deve vir por aí um aumento de 50 pontos percentuais, levando a nossa taxa básica de juros para 13,75% ao ano. E a expectativa do mercado é que ela fique assim por um tempo. Resta saber quais indicativos a autoridade monetária dará em seu comunicado.
No mais, a semana está cheia de balanços do segundo trimestre. Lá nos EUA, grandonas como Uber, Caterpillar e Starbucks divulgam seus números. Por aqui, os destaques ficam com Cielo, Gerdau, PetroRio, Bradesco, Embraer e Lojas Renner.
Bons negócios.
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