ACONTECEU | ATAQUE A JORNALISTAS NA VISITA DE BOLSONARO AO PARÁ
O repórter Diogo Puget e o cinegrafista Carlos Jumbinho, da TV Cultura do Pará, foram agredidos física e psicologicamente na sexta-feira à tarde, ao cobrirem a chegada do presidente Jair Bolsonaro em Belém. Ambos viveram momentos de terror. Foram intimidados, xingados, empurrados e precisaram sair sob escolta policial da Base Aérea de Val de Cães.
Estava prevista a entrega simbólica de cestas
básicas pelo presidente da República no depósito de suprimentos do Exército, e
muita gente foi para o portão de entrada com a esperança de receber os
alimentos ali mesmo, o que não aconteceu e gerou insatisfação. A assessoria de
imprensa do evento informou mudança na programação e os jornalistas credenciados
tiveram que se deslocar para a base aérea, onde só bolsonaristas estavam
presentes.
Diogo começou a gravar lá o stand up, que enviaria também à TV Cultura de São Paulo, e como seu texto foi construído pela ordem cronológica, mencionou primeiro o desagrado popular por conta da mudança do local da recepção a Bolsonaro. Foi o bastante para serem hostilizados com gritos de expressões de ódio pela multidão, que tentou expulsá-los aos empurrões. Ele ainda explicou que se trata de emissora educativa, que era só o início da matéria, e que citaria a entrega de 468 mil cestas básicas, o investimento na preservação de parques ambientais do Pará e o repasse de R$128 milhões ao Banco da Amazônia para aplicação no setor de Turismo. Mas as agressões se intensificaram, eles foram cercados ameaçadoramente e um homem com camisa da Konecta Amazônia, escrito "imprensa" atrás, foi empurrando e também deu um tapa nas costas de Diogo.
As agressões a profissionais de comunicação não são
casos isolados e a cada dia se agravam. Viver o pesadelo de ficar cercado por
uma multidão hostil não é normal e nem aceitável. É uma situação horrível,
apavorante, de extrema violência emocional. Nos últimos três anos os
jornalistas arriscaram suas vidas (e muitos morreram), tiveram as condições de
trabalho precarizadas e sofreram ataques violentos só por exercerem a profissão
e cumprirem seu papel social.
Em 2019, a Federação Nacional dos Jornalistas já
alertara a sociedade brasileira para a situação de violações à liberdade de
imprensa no Brasil, claramente associadas à ascensão de Jair Bolsonaro à
Presidência da República. Foram 208, um aumento de 54,07% em relação a 2018. No
ano passado, a violência contra jornalistas e contra a imprensa de um modo
geral explodiu. Houve registro de 428 episódios, 105,77% a mais do que em 2019.
O presidente Jair Bolsonaro foi o principal agressor. Sozinho foi responsável
por 175 casos (40,89% do total) dos 145. A postura do presidente da República,
que inegavelmente não condiz com o cargo que ocupa, estimulou auxiliares e
apoiadores à adoção da violência contra jornalistas como prática, nas ruas e
nas redes sociais. As agressões verbais e ataques virtuais cresceram 280% em
2020, em comparação com o ano anterior, e muitos não foram computados, já que
nem todas as vítimas denunciam.
O Relatório da Violência contra Jornalistas e
Liberdade de Imprensa – 2020 da Fenaj revelou que proliferam ameaças,
intimidações, agressões verbais e físicas, impedimentos ao exercício
profissional, cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais e
violência contra a organização sindical da categoria, inclusive ataques
cibernéticos, atentados, sequestros e cárcere privado. Dois jornalistas
brasileiros foram mortos no ano passado: Léo Veras, na cidade paraguaia de
Pedro Juan Caballero, divisa com Ponta Porã(MS), onde editava o site Porã News,
e Edney Antunes, assassinado em Peixoto de Azevedo(MT), onde atuava como
assessor.
A Fenaj vem denunciando a organismos internacionais
a evidente institucionalização do desrespeito ao princípio constitucional da
liberdade de imprensa e a disseminação da violência contra veículos de
comunicação e jornalistas. A sociedade brasileira precisa dizer não à violência
e jamais abrir mão das liberdades individuais e coletivas, das quais o
Jornalismo e os jornalistas são verdadeiros guardiões.
è Por Franssinete Florenzano


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