RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA MANHÃ | QUARTA-FEIRA, 10 DE FEVEREIRO DE 2021
OUVIDOR DA PM VISITA PAIS QUE INVESTIGARAM CASO DE FILHOS POR
CONTA: "FIZERAM O QUE POLÍCIA NÃO FEZ"
Alexssandro Marques do Nascimento, 18; Eryk Bueno Pimentel, 20; e
Kelvin Nascimento de Amancio, 22, ficaram dois meses presos por suspeita de
roubo de carga após serem encontrados em um matagal, em endereço não informado
no boletim de ocorrência, mas que fica atrás da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Iracema Marques.
Com a ajuda de advogados e vizinhos, as famílias dos quatro jovens
juntaram vídeos de câmeras de segurança que demonstram que eles
não estavam na cena do crime pelo qual foram presos. Também defenderam que
parte do relato policial não condiz com um roubo de de carga no bairro. Assim,
conseguiram sua soltura.
Ontem, o ouvidor da polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes,
esteve no Capão Redondo e se encontrou com os jovens e seus familiares.
"Vocês fizeram o trabalho que a polícia não fez", disse o ouvidor aos
pais dos jovens. Alexssandro, Eryk e Kelvin estão em liberdade provisória desde
20 de janeiro e ainda têm algumas restrições de direitos — eles não podem sair
das 22h às 6h, por exemplo.
Para o ouvidor, casos como o dos rapazes do Capão Redondo mostram
como a pobreza é criminalizada no país. "Será que num bairro nobre eles
seriam tratados assim?", questionou.
Após 20 dias de liberdade, Alexssandro, Eryk e Kelvin ainda sentem
o peso da prisão e têm medo da polícia.
"Bate insegurança quando vejo uma viatura", diz Eryk
Bueno Pimentel. "Tenho medo que eles voltem e façam a mesma coisa de
novo", completa Kelvin Nascimento de Amancio.
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Fonte/Foto: Clarice Cardoso, do UOL, em São
Paulo
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