PAZUELLO CULPA HOSPITAIS DE MANAUS POR MORTES, MAS BRAGA REBATE: 'NÃO É VERDADE, LHE AVISEI DA SEGUNDA ONDA, EM DEZEMBRO'

 


No Senado, ministro tentou responsabilizar sistema de oxigênio dos hospitais e foi desmentido por Braga, que ainda pediu 1 milhão de vacinas para o Amazonas

 

Convocado pelo Senado Federal para justificar a crise sanitária em Manaus, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, agora culpou os hospitais da capital pelas mortes por falta de oxigênio, mas foi de pronto rebatido pelo senador Eduardo Braga ( MDB), que participava, presencialmente, da sessão, em Brasília.   

 

O ministro disse que a falta de oxigênio ocorreu em virtude de falhas numa rede pressurizada existente no Estado, que repassa oxigênio aos hospitais. “ Deficiência na gestão dos hospitais por colapso e dificuldades técnicas em redes de gases. Em momento algum fala sobre falta de oxigênio, colapso de oxigênio ou previsão de falta de oxigênio”, afirmou.

 

“Isso não é verdade. Essa rede não existe. Lá ( em Manaus) continuam sofrendo com a falta de oxigênio”, reagiu Braga. O ministro é alvo de pedido de CPI por causa do colapso na capital amazonense.   

 

O senador afirmou que teve uma reunião na sede do Ministério da Saúde, em dezembro de 2020, pessoalmente, com Pazuello quando o alertou sobre a segunda onda do vírus em Manaus, conforme cientistas já previam.

 

“Não está tudo bem. Não está tudo certo. E não foi feito tudo que poderia ser feito. Eu já dizia que iríamos enfrentar uma onda muito grave. Sugeri, ainda, que assumisse uma unidade hospitalar no Amazonas diante da comprovação da ineficiência do Governo do Estado durante a primeira onda da doença”, completou o senador. 

 

Diante dos demais colegas da Casa, o Eduardo Braga salientou que a crise sanitária sem precedentes registrada no Amazonas, em virtude da disseminação desenfreada da Covid-19, especialmente da cepa já identificada, está longe de ser resolvida, como disse Pazuello momentos antes.

 

E cobrou vacinação em massa, com destinação de 1 milhão de doses para o Amazonas, para conter mais mortes e uma terceira onda da covid-19.

 

“É preciso fazer mais, de forma objetiva e prática. A única resposta que temos, ministro, é se Vossa Excelência, as Forças Armadas, o Estado e o município se mobilizarem para essa vacinação. O nosso povo está chorando pela morte dos parentes e dos amigos”, alertou o parlamentar, que, na semana passada, apresentou um Projeto de Indicação no Senado para que sejam encaminhadas ao Estado, com urgência, 1 milhão de doses de vacinas contra o coronavírus.

 

RECORDE DE MORTES EM JANEIRO

 

A verdade, destacou Eduardo, é que o Amazonas registra uma média de 228 óbitos por Covid-19 a cada 100 mil habitantes, mais do que o dobro da média registrada no país: 112 a cada 100 mil.

 

“Em janeiro, morreram 3.529 amazonenses – uma média de 113 mortes por dia. O que é mais triste é que a média de fevereiro deve ser mais alta. O problema não está resolvido. A situação está num patamar de casos e mortes altíssimo”, afirmou. “Neste momento, estão morrendo 164 pessoas no Amazonas, em média, com certidão de óbito. O diagnóstico nem sempre é a Covid-19 porque o senhor, ministro, sabe que tem gente morrendo sem passar por hospital. No interior, tem gente morrendo em casa e sendo enterrada no quintal.”


Fonte/Foto: Portal DeAmazônia

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