PARÁ | HELDER BARBALHO É CONTRA PEC PARALELA DA PREVIDÊNCIA NO SENADO
O governador paraense diz que que PEC paralela
da Previdência vai causar imobilismo nos Estados.
Os
governadores Helder Barbalho (MDB-PA) e Eduardo Leite (PSDB-RS) criticaram
ontem a apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela no
Senado como saída para reincluir estados e municípios na reforma da Previdência
e disseram que já preparam medidas locais caso a alternativa não prospere no
Congresso.
Em
viagem aos Estados Unidos, Barbalho e Leite alinharam o discurso cético quanto
ao avanço de uma PEC paralela para tratar do tema e afirmaram que a espera por
uma solução pode gerar ainda mais custos e imobilismo nos estados.
Eles
insistem em uma possível articulação para modificar o texto que chegou ao
Senado -e não em uma alternativa à parte-, mas dizem que instruíram suas
equipes a elaborar propostas com regras para servidores estaduais que devem ser
enviadas às assembleias legislativas no meio de agosto, caso fique claro que os
senadores não vão alterar o que chegou da Câmara na semana passada. “Essa PEC
paralela vai tratar apenas do ponto da divergência [incluir ou não estados e
municípios na reforma]. É difícil vê-la prosperar se não houver fatos novos,
uma vez que ela vai se deter apenas sobre o ponto que já foi divergência.
Dificilmente terá agilidade. E mais, pode gerar até uma imobilização dos
estados. Porque você fica na expectativa: vai ter? Não vai ter? Vai aprovar?
Não vai? Faço algo ou não faço? A melhor resposta depois de um ‘sim’ é um ‘não’
rápido. Não dá para ficar empurrando”, afirmou Eduardo Leite em conversa com
jornalistas em Washington.
Votação
A
reforma da Previdência foi aprovada em primeiro turno na Câmara sem a inclusão
de estados e municípios e, desde então, ganhou força em Brasília a ideia de uma
nova PEC no Senado para tratar do tema.
A
proposta seria remetida à Câmara para apreciação dos deputados sem comprometer
a PEC da reforma da Previdência, que seguiria sem mudanças no Senado.
Segundo
os governadores, porém, é muito difícil que um texto somente sobre estados e
municípios seja aprovado à parte, já que a eleição municipal se aproxima -o
tema é eleitoralmente impopular- e há outras agendas para os parlamentares
tratarem daqui para frente. “Além disso, se não passou quando estava no
global...”, disse Helder Barbalho, acrescentando que a decisão de tirar estados
e municípios do texto base aprovado na Câmara foi um ato político, sem
argumentos técnicos.
O
presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assim como o ministro Paulo Guedes
(Economia), queria a inclusão das regras para servidores estaduais e municiais
na proposta nacional, mas acabou sendo vencido pela articulação de líderes do
chamado centrão, que convenceram o relator Samuel Moreira (PSDB-SP) a retirar o
item do texto.
“Não
tem justificativa para isso, é política, lamentavelmente, mas é uma casa
política, então temos que respeitar”, afirmou Helder.
“Eu
confesso que, na minha opinião, e é uma opinião que faço particularmente pelo
meu Estado, se for para o caminho de uma nova PEC, nós passamos a trabalhar com
o cenário de encaminhar para a Assembleia Legislativa e não esperar mais. O
deadline é a primeira quinzena de agosto para saber efetivamente o que vai
acontecer, não dá para ficar nesse limbo”, completou o governador paraense.
Maia
tem dito que quer uma sinalização forte do Senado sobre a inclusão de estados e
municípios em uma PEC paralela, de forma que o tema possa ser avaliado pelos
deputados quando voltar para a Câmara.
Eduardo
Leite chegou a dizer que, durante a votação dos deputados, ouviu de
parlamentares que a questão poderia ser judicializada, ou seja, o STF (Supremo
Tribunal Federal) ficaria com a palavra final sobre incluir ou não estados e
municípios na reforma. “O Supremo vai legislar?”, questionou Barbalho. “Isso
gera uma insegurança”, completou Leite.
Compromisso
Os
dois governadores, Helder Barbalho (MDB/PA) e Eduardo Leite (PSDB/RS),
participam esta semana, em Washington (EUA), de um curso voltado para as
lideranças políticas sobre gestão pública.
Fonte/Foto: FolhaPress


Nenhum comentário:
Postar um comentário