UMA GOTA DE POESIA NA BOCA DA NOITE...: “ANTES DE AMAR-TE, AMOR, NADA ERA MEU”
Antes de amar-te, amor,
nada era meu
Vacilei pelas ruas e as
coisas:
Nada contava nem tinha
nome:
O mundo era do ar que
esperava.
E conheci salões
cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se
despediam,
Perguntas que insistiam na
areia.
Tudo estava vazio, morto e
mudo,
Caído, abandonado e
decaído,
Tudo era inalienavelmente
alheio,
Tudo era dos outros e de
ninguém,
Até que tua beleza e tua
pobreza
De dádivas encheram o
outono.
- Pablo Neruda


Nenhum comentário:
Postar um comentário