INDÍGENAS FAZEM REPRESENTAÇÃO NO MPF CONTRA IDA DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS PARA O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA
O Ministério Público
Federal (MPF) no Amazonas recebeu representações de sete organizações indígenas
contrárias à transferência da atribuição de demarcação de terras indígenas para
o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A partir das manifestações,
o MPF instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis
irregularidades na condução dos processos de demarcação de terras indígenas em
decorrência das mudanças.
Entre os representantes,
estão: a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab),
a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), a Coordenação das
Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), a Associação Indígena
Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk), a Associação dos Povos Indígenas do
Mapuera (Apim), o Conselho Geral dos Povos Hexkaryana (CGPH) e a União dos
Povos Indígenas do Médio Solimões e Afluentes (Unipi-MSA).
A alteração é decorrente
da edição da Medida Provisória nº 870/2019, editada pelo Presidente da
República Jair Bolsonaro, que estabelece a organização básica dos órgãos da
Presidência da República e dos Ministérios, e transfere para a área de
competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento as
atribuições referentes à reforma agrária, regularização fundiária, Amazônia
Legal, terras indígenas e quilombolas.
Nas representações, as
organizações indígenas apontam que a medida legislativa ofende a Convenção nº
169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o regime jurídico de
terras indígenas estabelecido pelo artigo 231 da Constituição Federal. De
acordo com os documentos, a alteração também constituiria desvio de finalidade
ao transferir a condução dos processos de demarcação à pasta do governo com
interesses conflitantes à demarcação de terras indígenas.
Documentos semelhantes aos
recebidos no Amazonas já foram entregues em diversas unidades do MPF pelo país
e à Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6ª Câmara) em
Brasília.
Fonte/Foto:
Portal do Amazonas


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