AMAZÔNIA: ARTESANATO COM MIÇANGA IMPORTADA FAZ SUCESSO
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| Lainara, da Aldeia Nova Esperança, recebe pintura no rosto |
O artesanato dos índios
yawanawás é marcado pela perfeição de seu acabamento. O fotógrafo Sebastião
Salgado, que já visitou dezenas de culturas tribais em todos os cantos do
planeta, destaca a beleza de sua arte plumária. Também os trabalhos com miçanga
são referência entre os povos indígenas e têm destaque em lojas de grandes
cidades brasileiras. As pequenas contas são muito usadas em peças de
iluminação.
Outro elemento marcante,
sempre explorado em artigos relacionados à moda e ao turismo, é a pintura
corporal. Os índios produzem desenhos na pele usando urucum (vermelho) e
jenipapo (preto); depois recobrem as pinturas com uma resina que as mantêm por
mais tempo do que durariam apenas com a tintura natural.
Assim como a língua e a
memória dos mitos e rituais, essas técnicas foram recuperadas ao longo das
últimas décadas. Elas estavam restritas às pessoas mais velhas, que passaram a
transmitir às novas gerações esses saberes tradicionais. Hoje, os cocares têm
uso ritual e não fazem parte da vestimenta diária dos índios. Exatamente por
isso são muito bem conservados.
Muitos adereços plumários
dos líderes são feitos com penas de gavião-real, ave de rapina que, segundo a
mitologia, deu origem a todos os índios de língua pano. Por isso as coroas de
penas têm predominantemente as cores branca e cinza.
Já as pulseiras e os
colares de miçangas são multicoloridos. Embora pareçam abstratos aos olhos de
não índios, os desenhos geométricos representam animais.
Há muito tempo as miçangas
industrializadas substituíram as sementes e os dentes de animais que eram
usados como matéria-prima. Elas são importadas da República Tcheca, onde a
produção das contas de vidro está concentrada na pequena cidade de Jablonec.
O líder Biraci Nixiwaká
visitou Jablonec no ano passado para conhecer melhor o produtor de algo que se
arraigou profundamente na cultura dos yawanawás e de outras etnias brasileiras:
“Fiquei admirado. Eles me disseram que os povos indígenas respondem por 70% das
vendas”. No Brasil, até mesmo grupos de pouco contato com não índios usam miçangas
importadas.
Os yawanawás consomem
muitos quilos de contas de vidro por ano. Em 2016, o consumo foi de uma
tonelada, para atender à demanda de uma parceria com uma loja de decoração de
São Paulo. Falando da mudança das matérias-primas tradicionais para as contas
industrializadas, Biraci ri e diz: “É um sinal dos tempos: as coisas estão
aqui, ao nosso alcance. A gente não pode recusar a modernidade”.
Aos 80 anos, pianista João
Donato tocou na aldeia com coral local
Nascido em Rio Branco, o
pianista João Donato decidiu ir a seu estado natal em 2013, pouco antes de
fazer 80 anos, e visitou a aldeia Nova Esperança. O episódio está na memória da
tribo. Com um teclado, ele acompanhou um coral de crianças que cantavam
histórias dos yawanawás. Em seguida, tocou composições suas. No ano seguinte,
em agosto, convidou o músico Shaneihu Yawanawá para tocar no Rio de Janeiro, no
show de comemoração de seu 80º aniversário.
Fonte/Foto:
arte.folha.uol.com.br/Sebastião Salgado


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