ROSTO DE INDÍGENA É RECONSTRUÍDO EM 3D COM BASE EM CRÂNIO ACHADO NO RIO MADEIRA, EM RO
![]() |
| Infográfico mostra evolução para elaboração de rosto em 3D |
Projeto será apresentado na CPRO durante a palestra ‘Reconstruindo
faces e vidas com a computação gráfica 3D’. Com a pesquisa será possível
colocar Rondônia no mapa da trajetória de migração e ocupação humana no mundo.
O
processo de ocupação humana em Rondônia está sendo estudado a partir da análise
de crânios encontrados no Rio Madeira. A pesquisa tem como base a reconstrução
de faces em 3D, feita pelo pesquisador Cícero Moraes, que trouxe para a Campus
Party Rondônia (CPRO) a reconstrução facial de um ancestral indígena.
O
especialista apresentou o projeto na noite da sexta-feira (3) durante a
palestra “Reconstruindo faces e vidas com a computação gráfica 3D”.
Segundo
a diretora do Museu da Memória Rondoniense, Ednair Nascimento, há cinco meses
Cícero Moraes entrou em contato com a instituição para fazer a reconstrução
facial de crânios humanos encontrados em áreas de garimpo nas margens do Rio
Madeira, entre o Porto do Cai n’água até o Belmonte. O material foi coletado
por arqueólogos e garimpeiros.
“Ao
todo, seis crânios foram doados pro museu e até agora não tínhamos um estudo
sobre eles. A participação do Cícero vem muito a colaborar nesse processo de
pesquisa. Processo que também tem parceria com os alunos de arqueologia da
Universidade Federal de Rondônia (Unir)”, explicou Ednair.
A
datação relativa dos crânios é de aproximadamente 3 mil anos. A partir do estudo
será possível ter a determinação do sexo, idade biológica do crânio e causa da
morte.
“A
gente vai saber se foi uma morte catastrófica, por doença, surto ou morte
natural. Além disso, o mais importante é estabelecer uma conexão dessa
população, saber quais as características étnicas, se têm traços mongóis,
indígenas, ou europeus”, comentou a diretora do museu.
Com
essa pesquisa será possível colocar Rondônia no mapa da trajetória de migração
e ocupação humana no mundo. E também reconstruir a memória do estado.
![]() |
| Rosto de indígena foi feito com base em crânio achado no rio |
“Com
isso a gente começa a compreender que a ocupação humana em Rondônia é muito anterior
a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, já existiam indígenas aqui antes da
ferrovia, e antes desses indígenas existiam outros grupos também. Nossa
miscigenação pode ser levantada a partir desse estudo científico”, afirmou
Ednair Nascimento.
Reconstrução de faces em 3D
Cícero
Moraes é formado em marketing, mas trabalha com computação gráfica atualmente.
Ele faz simulações de cirurgias faciais humanas, mostrando o resultado da face
de um indivíduo após cirurgias ortognáticas, que grosso modo é uma cirurgia
para deformações faciais, também de rinoplastia e ortodontia.
“O
que a gente faz é uma simulação pra ajudar os especialistas, é como se eles
treinassem a cirurgia antes de fazê-las, quando ele vai fazer a cirurgia ele já
treinou umas quatro ou cinco vezes, e isso aumenta a segurança do
procedimento”, afirmou Cícero.
O
pesquisador também trabalha com reconstrução de próteses humanas e animais,
como o caso de um jabuti que recebeu um casco completo em 3D, em 2015 e a arara
Gigi que recebeu um bico impresso em metal em 2016.
![]() |
| Desenho em 3D foi feito após crânio ser achado |
Sobre
a parceria com o Museu da Memória Rondoniense, o pesquisador comentou que a
recuperação de patrimônio deve ser discutida, fomentada e incentivada.
“Tecnologia
não é só digital, tudo que você fornece pra uma população, e melhora a vida das
pessoas é tecnologia, por isso procurei o museu. Acredito que esse projeto
marcará a história do estado”, conta.
Fonte/Fotos: Ana Kézia Gomes – G1/Reprodução




Nenhum comentário:
Postar um comentário