JUSTIÇA DETERMINA DEMOLIÇÃO DO MIRANTE DO RIO NEGRO, EM MANAUS
Segundo MPF, a obra causa obstrução da visibilidade e
desvalorização do conjunto paisagístico e artístico da área portuária de Manaus
O
Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF1) determinou a demolição do Mirante
do Rio Negro, localizado na área portuária de Manaus (AM), por causar obstrução
da visibilidade e desvalorização do conjunto paisagístico e artístico do local.
A Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH) e a Estação
Hidroviária do Amazonas, responsáveis pela obra, têm 180 dias para cumprir a
decisão, que atendeu apelações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan), União Federal e Ministério Público Federal. A determinação do
TRF1 foi em 21 de março.
O
Conjunto Arquitetônico do Porto de Manaus foi tombado em 14 de outubro de 1987,
considerada a sua relevância para o patrimônio artístico e histórico nacional.
Em 8 de junho de 2001, foi firmado um contrato de arrendamento para exploração
do porto entre a SNPH e a Estação Hidroviária do Estado do Amazonas. As obras
foram realizadas junto aos Prédios da Alfândega e da Guardamoria do Porto e o
Iphan concluiu que a construção do mirante desvalorizava o conjunto
arquitetônico e paisagístico tombado.
O
Iphan já havia ajuizado ação civil pública em primeira instância com o objetivo
de impedir a construção do mirante. Entretanto, a Justiça não proibiu a obra,
pois entendeu que não havia prova de dano e que o projeto poderia ser
executado, desde que previamente submetido e aprovado pelo Iphan. Nas apelações
junto ao TRF1, os órgãos públicos pediram o reconhecimento da irregularidade da
obra e a imediata demolição dos acréscimos construídos.
Segundo
parecer enviado pelo Ministério Público Federal, o prejuízo à visibilidade dos
prédios históricos da Alfândega e da Guardamoria do Porto está claro pelas
fotografias dos autos. "As rés, por outro lado, não produziram qualquer
prova para elidir as constatações do Instituto, já que desistiram da perícia
requerida para tanto", diz a procuradora regional da República Eliana
Torelly.
Patrimônio
histórico - Ela também explica que o Iphan foi incumbido da missão de garantir
a preservação do patrimônio histórico e artístico nacional e que a ele cumpre
averiguar eventuais danos que comprometam a harmonia e o valor artístico ou
histórico dos bens tombados. "Assim sendo, não se justifica a manutenção
de obra considerada irregular pelo Iphan", reforça a procuradora.
Na
decisão, o relator do caso, juiz convocado Gláucio Maciel, considera que é
indiscutível a importância histórica do conjunto arquitetônico do Porto de
Manaus e que deve-se observar a proteção a ele conferida pelo art. 216 da
Constituição e pelo Decreto-Lei 25/37. "O tombamento promove um regime
jurídico especial de propriedade, considerando-se sua função social", diz.
Fonte/Foto: PORTAL DEAMAZÔNIA


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