EMPRESA DE TURISMO RESPONSÁVEL OFERECE ROTEIROS NO PA, AM, MG, RJ E SP
Vivejar é especializada em viagens que permitem experiências
únicas e transformadoras para as comunidades e turistas; os atrativos são o
artesanato, a gastronomia, projetos socioambientais, entre outros
Viver
e viajar, esta expressão inspirou o nome da operadora de turismo responsável
Vivejar, de São Paulo (SP). Criada em 2016, por Marianne Costa – turismóloga
especializada em Inovação Social pelo Instituto Amani - esta operadora é uma
empresa de impacto socioambiental (também chamada de empresa B).
O
objetivo do empreendimento é promover resultados positivos nas comunidades
visitadas, tais como geração de renda para seus moradores, fortalecimento do
papel das mulheres, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável local.
Outro objetivo da empresa de turismo responsável é criar conexão entre as pessoas
(anfitriões e visitantes).
No
turismo responsável (ou comunitário), os próprios moradores das comunidades são
responsáveis pelos serviços de receptivo, guiagem, etc Os atrativos são o artesanato, a
gastronomia, projetos socioambientais,
etc Além de vivenciar o dia a dia da comunidade, os turistas podem aprender com
os anfitriões a produzir peças artesanais, a bordar, tecer, esculpir, cozinhar,
entre outros ofícios.
A
hospedagem pode ser em pousadas singelas e diferenciadas ou nas casas dos próprios
moradores, que são mais do que guias, são verdadeiros anfitriões. As refeições
são oportunidade para conhecer outros paladares, temperos e para interagir com
as cozinheiras e anfitriãs dos roteiros.
Caminho
contrário
Antes
de criar a Vivejar, Marianne trabalhou durante dez anos desenvolvendo projetos
de turismo responsável. Em 2006,
Marianne e a amiga Mariana Madureira iniciaram um projeto de geração de renda,
baseado em comércio justo para a produção artesanal de cerâmica de barro do
Vale do Jequitinhonha (MG), uma das regiões mais vulneráveis do país.
As
duas fundaram a empresa social Raízes Desenvolvimento Sustentável. Nesta
experiência, perceberam o valor humano que havia naquelas belas peças,
produzidas por mãos tão talentosas em uma comunidade com tantos desafios
sociais.
Começaram
a se perguntar, se não seria interessante fazer o caminho contrário: levar as
pessoas dos grandes centros, que compravam as peças ao Jequitinhonha, para
conhecerem as artesãs, seu dia a dia, a região e
costumes.
Assim nasceu o primeiro roteiro ‘Do Barro à Arte’ no Vale do Jequitinhonha, que
hoje é um dos mais demandados da Vivejar.
O
caminho ao contrário deu certo. Em 2012, Marianne foi finalista do Prêmio
Empreendedor Social de Futuro da Folha de São Paulo, do Programa Women Change
Maker Fellowship e do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade. Atualmente faz parte
da Rede Mulher Empreendedora e é integrante do Conselho Fiscal do Sistema B
Brasil.
Depoimentos
“Ter
contato com modos de vida completamente diferentes é um convite à reflexão
profunda e a uma autoavaliação. Além disso, o aprendizado, a partir do contato
com pessoas de realidades diferentes, é surpreendente e emocionante”, ressalta
Marianne.
Para
Faustina Lopes da Silva, anfitriã da comunidade de Campo Buriti, no Vale do
Jequitinhonha, “a renda é indiretamente para todos, porque aquilo que a gente
pede a uma pessoa para fazer, um biscoito e paga ele, aí a renda circula né? Às
vezes, as coisas que a gente não tem vai no vizinho, e aí é bom para ele
também, né?", diz ela.
"É
bom desligar, mudar de lugar. E eu adorei! Principalmente o povo. Dei muito
valor ao que eu tenho. Mas nunca tinha conhecido mulheres iguais a essas! São
bárbaras! Ensinam tudo para nós”, declara Helena Siqueira Dornellas,
participante do roteiro ao Vale do Jequitinhonha.
Transformação
e empoderamento
Marianne
acredita no poder do turismo como ferramenta de transformação e para o
empoderamento feminino nas comunidades. “Trabalhamos principalmente com
lideranças femininas, porque apostamos no potencial que a mulher tem de
trabalhar coletivamente e de gerar desenvolvimento para si, sua família e sua
comunidade. Elas estão prontas para mostrar sua realidade, trocar experiências,
criar conexões com os visitantes e até mesmo apresentar seus ofícios e
tradições”, explica.
A
Vivejar é certificada como Empresa B pelo Sistema B Brasil, uma das
certificações para negócios de impacto socioambiental existentes no mercado
nacional e internacional. “Não somos as melhores empresas do mundo, mas
queremos ser as melhores empresas para o mundo”, informa o lema dos
empreendimentos sociais.
Mercado
internacional
Em
2017, a Vivejar atendeu 50 pessoas em seus 7 roteiros. No Brasil, o Turismo
Responsável ainda é pouco conhecido, justifica. O mercado internacional está na
mira da empresa. No momento, a empresária informa que está fechando as
primeiras parcerias com operadoras de turismo internacionais. A expectativa é
de que, a partir de 2019, a Vivejar começará a levar grupos de estrangeiros
para conhecer outros Brasis. Os roteiros mais demandados são o do Vale do
Jequitinhonha e os da Amazônia.
Os 7 roteiros
Do
Barro à Arte’ no Vale do Jequitinhonha, MG – durante 5 dias, os turistas
acompanham desde a retirada do barro, modelagem, pintura e queima das peças nos
fornos das artesãs. Eles se hospedam nas casas dos receptivos da comunidade,
com todo o conforto. As refeições são feitas nas casas das artesãs, onde podem
degustar as delícias da cozinha autenticamente mineira. O público-alvo são
mulheres, estudantes e famílias. Custo: R$ 3.476 com acomodação dupla. O
roteiro parte de Belo Horizonte e conta com duas noites em Diamantina. Idiomas
disponíveis: português, inglês, francês e espanhol (sob consulta)
Segredos
e Temperos da Amazônia, em Belém e Ilha de Cotijuba (PA) – este é um roteiro
sensorial e gastronômico por excelência para conhecer as especiarias amazônicas,
ainda por serem descobertas pelo mundo. São 6 dias para vivenciar as
experiências únicas deste roteiro, que começa em Belém no Mercado Ver o Peso,
onde os turistas conhecem os peixes, frutas, ervas, castanhas e aromas do rico
bioma. Depois, segue para Cotijuba, uma ilha do arquipélago belenense, onde
mulheres fortes e líderes apresentam a vida dos ribeirinhos, em oficinas de
culinária, de biojóias e trilhas na floresta (com direito a luau em praia de
rio). Os turistas se hospedam em pousadas comunitárias. Nas oficinas podem
colocar a mão na massa junto aos moradores da comunidade.Público-alvo: mulheres
e grupos de interesses específicos. Custo: R$ 4.189, com acomodação dupla.
Idiomas disponíveis: português, inglês,
sueco e italiano (sob consulta).
Rever
o Rio – Morro da Babilônia, na cidade do RJ – este roteiro de apenas 1 dia
oferece a oportunidade de rever a cidade do Rio de Janeiro de forma positiva,
apresentando a vida de uma comunidade urbana em um dos maiores destinos
turísticos do mundo, que está driblando seus desafios com sustentabilidade e
inovação social. É um mergulho na comunidade Babilônia para conhecer o projeto
Favela Orgânica, desenvolvido pela empreendedora social Regina Tchelly, de
aproveitamento total de alimentos. Aprende-se pratos deliciosos e como apoiar a
manutenção de hortas coletivas na comunidade. A experiência termina com
caminhada na trilha Mirante Rio Sul, para contemplar uma das mais belas vistas
do Rio. Há possibilidades de customização
nesse roteiro com visitas a empresas B focadas em cursos MBA e pós-graduação no
Rio de Janeiro. Custo: R$ 329 / individual em grupo de 10 pessoas.
Ilha
do Bororé e uma outra São Paulo – apresenta os bairros do Grajaú e Ilha do
Bororé, divididos pela Represa Billings, no extremo sul da cidade de São Paulo.
Os turistas conhecem outro estilo de vida em plena capital paulista, onde há
natureza, agricultura orgânica e biodinâmica, arte, sustentabilidade, grafite,
inovação social e população ecoativa. O roteiro se inicia na estação CPTM
Pinheiros às 9h e termina às 17h30. Idiomas disponíveis: português, inglês,
sueco e espanhol (sob encomenda). Custo: R$ 389/individual em grupo de 10
pessoas.
Alter
do Chão (PA) – uma viagem de imersão na
realidade das populações ribeirinhas amazônicas, a bordo do belo e confortável
barco Belle Amazon, durante 5 dias. Esta embarcação possui 9 cabines, sendo uma
suíte máster (com vista panorâmica na frente do barco com cama de casal) e 8
cabines com cama de casal e uma cama beliche, sala de jantar e cozinha climatizados,
área de observação a céu aberto para banhos de sol vista panorâmica. Os
turistas visitam as comunidades nos rios Arapiuns e Tapajós, onde interagem com
seus moradores, participam de oficinas de artesanato, rodas de conversa,
caminhadas por trilhas e momentos de relaxamento em belas praias de rio.
Idiomas disponíveis: português, inglês e espanhol. Custo: R$ 3.261 para grupo
de 18 pessoas.
Presidente
Figueiredo (AM) – este roteiro se inicia com o transporte de Manaus a
Presidente Figueiredo, cidade a 107 km, pela BR 174 (Manaus/ Boa Vista-RR).
Durante viagem de 2 horas, é possível observar a mudança entre mata desmatada e
floresta nativa. É uma legítima imersão de 4 dias na floresta amazônica,
permitindo aos turistas conhecerem a riqueza ambiental, cachoeiras e cavernas
deste bioma tão importante para o equilíbrio climático do planeta. São feitas
visitas à Floresta Amazônica e agrofloresta, na Área de Proteção Ambiental da
Caverna do Maruaga. Os turistas ficam hospedados
no charmoso Lodge Tropical Tree Climbing.
Custos: R$ 2.480 em quarto triplo, em baixa temporada - jan a mai e out
a dez; e R$ 2.330 em quarto triplo, em alta temporada – jun a set.
Uakari
Lodge - Reserva de Mamirauá – Tefé (AM): este roteiro de 5 dias proporciona
vivências inesquecíveis na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá,
unidade de conservação estadual com 1.124.00 ha, entre os Rios Solimões, Japurá
e Auati-Paraná. Os turistas ficam hospedados na Pousada Flutuante Uakari Lodge,
referência em turismo de base comunitária, cuja gestão é compartilhada entre 9
comunidades e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. A renda
gerada é revestida na manutenção da pousada e em benefícios sociais para as
comunidades locais. Os visitantes conhecem esta rica região da Floresta
Amazônica junto a guias e pesquisadores. Os destaques são:culinária regional,
trilhas na floresta, fauna e flora, comunidades tradicionais, pesquisas
científicas e navegação. Custos: R$ 2.280, em baixa temporada jan a mai e out a dez); e R$ 2.440, em alta
temporada (jun a set) – não estão incluídas passagens aéreas de ida e volta a
Tefé. (www.vivejar.com.br)
Fonte/Foto: Vanessa Brito
Centro
Sebrae de Sustentabilidade


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