MOVIMENTO NEGRO DE BELÉM-PA AMPLIA DENÚNCIAS CONTRA RACISMO
Dia Nacional da Consciência Negra foi celebrado ontem em todo o
Brasil
Entidades
do Movimento Negro em Belém intensificaram, desde sexta-feira até ontem (20),
Dia Nacional da Consciência Negra, denúncias contra a prática de racismo e suas
consequências para os cidadãos e cidadãs negros. Na sexta-feira (18), um
cortejo, organizado pelo Centro de Defesa e Estudos do Negro do Pará (Cedenpa),
saiu do Centur até o Quilombo na Praça da República. No evento, foi enfatizada
a necessidade da mobilização para garantia da cidadania da população negra.
Pelo
levantamento do Movimento Negro, cerca de 80% dos homens, entre 16 e 29 anos,
mortos no Brasil, são negros. Houve um aumento de 54% do feminicídio de
mulheres negras. Oito autoridades tradicionais de religiões de matriz africana
foram assassinadas em Belém, em 2016.
A
professora e ex-reitora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Zélia Amador,
destacou que o cidadão negro brasileiro vive com muita dificuldade, porque ao
longo do tempo tem acumulado desigualdades em relação aos cidadãos brancos.
“Por causa do racismo, que é muito forte no Brasil. É por isso que a gente
luta. A gente luta contra o racismo e, sobretudo, pela eliminação da
discriminação racial, porque ela suprime direitos fundamentais da população
negra, inclusive, o direito à vida. A juventude negra é vítima de genocídio, os
sacerdotes das religiões de matriz africana estão sendo perseguidos. Alguns já
morreram, alguns já foram assassinados”, afirmou.
O
racismo é uma relação de poder, como frisou Zélia Amador. Somente existe por
que dá vantagens para alguns cidadãos. “Tem gente que está lutando contra o
racismo no Brasil. Enquanto a população negra está sendo prejudicada, outros
têm privilégios em comparação com essa população. E por isso lutamos, pela
construção da cidadania plena da população negra”, disse a fundadora do
Cedenpa.
Ela
disse ainda que os cidadãos negros lutam por políticas públicas de combate ao
racismo, com ações afirmativas em todas as áreas da sociedade, e que caminhem
na linha da construção da igualdade
racial. Para a médica carioca Jurema Werneck, da ONG Criola, os cidadãos
negros, apesar de um cenário adverso em todos os sentidos, seguem lutando por
seus direitos há quase 600 anos. “E um dia vai vencer”, salientou.
Jurema
disse que uma parte da sociedade reconhece o lugar do cidadão negro no tecido
social brasileiro e se soma a eles para mudar situações no Brasil e no mundo.
“Na outra parte, aqueles que têm privilégios, que lucram, que ganham com a
matança, com a exploração de negros e negras, com o racismo, esses não se somam
a nós”, acrescentou.
Jurema
afirmou também que uma grande conquista do cidadão negro, nesse cenário de
discriminação racial e desigualdades, é permanecer vivo. “O segundo desafio é
conquistar a cabeça e o coração e a gana de mudar de cada pessoa que mora no
Pará e no Brasil”, concluiu.
Fonte/Foto: O Liberal/Cristino Martins

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