FESTIVAL DE PARINTINS 2016: GARANTIDO BRINCA DE BOI-BUMBÁ E CELEBRA O FOLCLORE AMAZÔNICO NO ENCERRAMENTO DO FESTIVAL DE PARINTINS




O espetáculo do boi Garantido no encerramento do 51º Festival Folclórico de Parintins, na noite de domingo, 26 de junho, executou a proposta de brincar de boi-bumbá, em um ambiente de celebração ao folclore amazônico. O conjunto folclórico do bumbá mostrou uma apresentação compacta, leve e coberta de emoção, arte e criatividade.
De acordo com o membro da Comissão de artes do Garantido, Fred Góes, todos os 21 itens estiveram presentes, mesmo sendo obrigatório para a disputa desta noite apenas sete: apresentador, levantador de toadas, batucada, amo do boi, boi-bumbá evolução, galera toada, letra e música.
No primeiro momento alegórico o cenário de uma comunidade rural de seringueiros se formou na arena do bumbódromo, com desenvolvimento da Figura Típica Regional, o seringueiro. Em meio à paisagem surgem garças gigantes conduzindo o apresentador Israel Paulain e o levantador de toadas Sebastião Júnior.
Entre as características do vilarejo de seringueiros estão casas rústicas características da região e como figura principal o seringueiro Chico Mendes. Do alto da comunidade surge o boi da baixa de São José  e módulos laterais com a porta estandarte Daniela Tapajós e a rainha do folclore Isabelle Nogueira. “Apesar de todos os reveses, os seringais do Acre continuam sendo exemplo de sustentabilidade e a figura do seringueiro é um símbolo da resistência pela preservação da floresta”, argumentou Fred Góes.
A sinhazinha da fazenda Djidja Cardoso veio na alegoria celebração folclórica amazônica. Neste momento alegórico o boi Garantido celebrou o bumba-meu-boi que se transformou em boi-bumbá na Amazônia, especialmente em Parintins, herança de uma cultura que atravessou o oceano e se transfigurou ao longo da costa brasileira, no chamado ciclo do gado.
A cunhã-poranga, Verena Assis, surgiu do meio da Lenda das Amazonas que retratou o mito dos muiraquitãs. O enredo conta que quando o espanhol Francisco Orellana passou com sua expedição, a bordo do bergantin Victória, pela Ilha que ele chamou “De La Picotas” e que mais tarde se chamaria a Parintins, foi atacado por índias guerreiras, armadas de arco e flecha, que foram batizadas por ele de Amazonas, por associação ao mito grego. Frei Gaspar de Carvajal, escriba da expedição, descreveu com tanta ênfase a bravura das índias, destacando que cada uma delas lutava com a desenvoltura de 10 homens.
A apoteóse do espetáculo ficou por conta do grande e surpreendente Ritual Yuruparí, trazendo o pajé André Nascimento. Conta a lenda que o Jurupari é o mito mais importante dos povos indígenas do alto rio Negro. É o herói legislador do panteão cultural dos povos do tronco cultural Aruak, em especial do Povo Baré, que habita o baixo rio Negro até suas cabeceiras, no noroeste amazônico.
Os ensinamentos de Yurupari são fundamentais na iniciação dos adolescentes indígenas, que são isolados e submetidos a provações e acompanhamento dos sábios da aldeia que repassam a eles os conhecimentos ancestrais da vida em harmonia na tribo e com os demais povos vizinhos.

Fonte/Foto: Marcondes Maciel | Repórter Parintins/Marcondes – Igor - Agnaldo

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