FESTIVAL AMAZONAS DE ÓPERA DEVE MUDAR DE FORMATO
Evento pode desaparecer no formato atual,
transformando-se em bienal ou tendo sua programação espalhada ao longo da
temporada do Teatro Amazonas
O Festival Amazonas de
Ópera, o mais importante do gênero na América Latina, vive um momento de
indefinição. Realizado normalmente no mês de abril, ele vem sendo adiado pelo
governo, o que levou à informação sobre o seu cancelamento, como noticiado pelo
Site Concerto. A notícia foi negada em seguida pela Secretaria de Estado da
Cultura que, no entanto, não soube afirmar quando o evento será realizado. Isso
porque, dentro da administração, discute-se uma alteração de formato, segundo a
qual o festival poderia de fato desaparecer em seu formato atual, tornando-se
bienal ou tendo sua programação distribuída ao longo do ano.
O futuro do Festival
Amazonas de Ópera estava em suspenso desde o início do ano, quando o governador
do estado, José Melo (PROS), acenou com a possibilidade dos eventos da
secretaria de Cultura tornarem-se bienais, “para reduzir as despesas com
produções externas, valorizar artistas locais e tornar o setor cultural do
Amazonas mais popular”, segundo noticiou a imprensa local em janeiro.
As negociações entre a
secretaria e o governo fizeram com que o início da produção do evento fosse
sendo adiado mês a mês. No fim de semana, artistas fizeram circular a notícia
de que o festival havia sido cancelado, o que gerou resposta, em nota oficial,
do secretário de Cultura Robério Braga, negando o cancelamento de “qualquer
atividade criada e mantida pelo governo do Amazonas”. “Estamos em fase de
reorganização do Estado em face da reforma administrativa imposta pelo cenário
de crise nacional. Estamos trabalhando em um plano de ajustes para nossas
atividades que não se restringem somente aos festivais e muito menos somente ao
de ópera. Para isso estamos ultimando parcerias privadas e definição de
recursos públicos.”
O texto de Braga, no
entanto, não diz quando o festival será realizado – ou mesmo se ficará para o
ano que vem, em nova configuração bienal. O secretário não atendeu ao pedido de
entrevista feito pelo Estado. Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do
evento, também não quis se pronunciar sobre a questão. Mas fontes ouvidas pela
reportagem apontam na direção de uma mudança de formato: as óperas reunidas na
programação do festival seriam, a partir de agora, distribuídas pelo ano,
incorporadas à programação regular do Teatro Amazonas. O festival, assim,
deixaria de existir, na forma atual.
Criado em 1997, o Festival
Amazonas de Ópera tornou-se, ao longo dos anos, o principal evento do gênero na
América Latina. Foi responsável por dar novo dinamismo à cena operística
brasileira. Primeiro, porque revelou novas gerações de cantores, diretores e
maestros e, também, por ter apostado em um repertório audacioso e
diversificado. Em Manaus, por exemplo, foi realizada a primeira montagem
brasileira da tetralogia O Anel do Nibelungo, de Wagner. E a programação do
evento conta com estreias importantes em terras brasileiras, como a das óperas
Lady Macbeth de Mtsensk, de Shostakovich, ou a Lulu, de Alban Berg. O evento
também realizou ciclos importantes, como o dedicado às óperas de Carlos Gomes.
Fonte/Foto: Estadão


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