DEPUTADA DO PSC-PA QUER PROIBIR ADOÇÃO POR CASAL HOMOAFETIVO
Em proposta apresentada na Câmara, Júlia Marinho alega
que família composta por dois pais ou duas mães “não logra ampla aceitação
social” e pode gerar “desgaste psicológico e emocional” na criança adotada.
Ex-ministra vê retrocesso
A deputada Júlia Marinho
(PSC-PA), integrante da bancada evangélica da Câmara, apresentou um projeto de
lei com o intuito de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de
maneira que seja proibida a adoção de crianças por casais homoafetivos. A
proposição foi apresentada no dia 6 de março e tramita na Comissão de Direitos
Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara.
O projeto de lei pretende
incluir mais um parágrafo, dentro do artigo 42 do ECA. Esse dispositivo
estabelece regras para a adoção de crianças no Brasil. Hoje, para ser pai ou
mãe adotiva, a pessoa precisa ter 18 anos, ter pelo menos 16 anos a mais que o
adotado e garantir a segurança da criança ou do adolescente. Mas a parlamentar
quer incluir mais uma condicionante para as adoções: “É vedada a adoção
conjunta por casal homoafetivo”, aponta o projeto.
Júlia afirma, no
documento, que “o reconhecimento jurídico de união homoafetiva não implica
automaticamente a possibilidade de adoção por estes casais, matéria que, a toda
evidência, dependeria de lei”. A parlamentar alega, no projeto de lei, que
família composta por dois pais ou duas mães “não logra ampla aceitação social”
e “pode gerar desgaste psicológico e emocional” na criança adotada.
“Assim, até que estudos
científicos melhor avaliem os possíveis impactos sobre o desenvolvimento de crianças
em tal ambiente e que a questão seja devidamente amadurecida, por meio de
discussão no âmbito constitucionalmente previsto para tanto – o Parlamento,
deve ser vedada a adoção homoparental”, defende a deputada.
“O regramento legal da
adoção não se sujeita ao das uniões civis ou ao do casamento. Cuida-se de
instituto especial, que visa ao atendimento dos interesses do adotando, não se
podendo alegar que sua vedação a casais homossexuais seja discriminação no
acesso a um direito”, justifica a congressista.
“É na família que as
primeiras interações são estabelecidas, trazendo implicações significativas na
forma pela qual a criança se relacionará em sociedade. O convívio familiar é o
espaço de socialização infantil por excelência, constituindo a família verdadeira
mediadora entre a criança e a sociedade”, afirma Júlia, logo em seguida. “O
novo modelo de família, contrário ao tradicional, consagrado na referida
decisão judicial, encontra ainda resistência da população brasileira”,
justifica.
A proposta enfrenta
resistência na Câmara. Ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos, a
deputada Maria do Rosário (PT-RS) vê o projeto de lei como um retrocesso num
país que tem garantido igualdade de direitos a todos os gêneros. “Na última
semana, a ministra Cármen Lúcia [do Supremo Tribunal Federal] tomou uma decisão
inédita que assegurou a constituição da adoção por um casal homoafetivo. Essa
garantia é um direito que ela assegurou às crianças. Lugar de criança não é em
abrigo”, disse a petista. “Nessa decisão, a ministra também assegurou o direito
a essas pessoas adultas que, como brasileiros, de ter uma família, de ter os
seus filhos”, complementou.
Além dessa proposta, a
bancada evangélica aposta em outro projeto que também inviabiliza, na prática,
a adoção de crianças por casais homoafetivos, o chamado Estatuto da Família. O
texto, que tramita em comissão especial, reconhece como família apenas a união
entre um homem e uma mulher.
Fonte/Foto:
congressoemfoco.uol.com.br/Antônio Augusto – Ag. Câmara


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