CRESCE NÚMERO DE CESARIANAS REALIZADAS NO PARÁ
Este ano, 51,78% dos partos registrados no Estado
foram cesarianas
Mais da metade dos partos
realizados no Pará este ano (51,78%) foi de cesarianas, conforme dados do
Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos e da Secretaria de Estado de Saúde
Pública (Sespa) consolidados até 16 de setembro. Em 1999, esse percentual era
de apenas 26,48%. Em Belém, a situação chama ainda mais a atenção - a taxa de
cesarianas subiu de 40,57% para 71,69% de 1999 a 2014.
Esse crescimento preocupa
muitos profissionais ligados a área de saúde e também futuras mamães,
principalmente porque são muitos os casos em que a mulher apresenta todas as
condições para que seu parto seja normal, mas é orientada a passar pelo
procedimento cirúrgico, inclusive com a data do parto sendo marcada quando o
bebê ainda não está totalmente preparado para nascer. “Nem toda cesárea se
caracteriza como uma violência obstétrica, muitas vezes é uma conduta médica
necessária, devido às condições da mãe ou do bebê. Mas, atualmente, o que se
percebe muito é que não se espera o momento do parto. Se agenda o nascimento
até antes da criança estar formada”, disse a coordenadora estadual de Saúde da
Mulher da Sespa, Conceição Carneiro Oliveira. “Desde o pré-natal já começa a se
orientar a mulher para a cesárea e os próprios estudantes aprendem assim”,
completa.
Na manhã de ontem, uma
sessão especial proposta pela vereadora Meg Barros (PROS), na Câmara Municipal
de Belém, discutiu esses e outros assuntos envolvendo a gestante, ao debater o
tema “Combate à violência obstétrica no Pará”. O Brasil é campeão em operações
cesarianas no mundo, resultado de uma prática indiscriminada da cirurgia que
contraria as recomendações da Organização Mundial de Saúdee, por isso, o parto
cesáreo ficou no centro do debate.
“Não podemos dizer que o
obstetra é culpado de tudo isso, mas existe todo um sistema que leva a isso, a
pressa, a pessoa que não pode demorar muito. Um trabalho de parto pode demorar
até 24 horas. Difícil alguém ficar ali observando. Então, o que nós notamos é
que querem logo operar”, diz Conceição, que defende uma organização social e
políticas públicas complementares para tratar do problema. “O Programa Nacional
de Humanização da Atenção Hospitalar começou em 2000 e, em 2003, veio a
política de humanização do SUS (Sistema Único de Saúde), com o objetivo de trabalhar
desde a atenção básica. Então, essa é uma discussão recente. A formação desses
profissionais é anterior a isso. Eles foram formados dessa forma, aprendendo
que cesárea é melhor. É preciso representar essa prática dentro desse novo
modelo, não só no SUS, mas no setor privado também”.
HUMANIZAÇÃO
Para a vereadora Meg
Barros, mais do que informar, a sessão de ontem pode contribuir para unir
forças. Existe um projeto em tramitação na Câmara, de autoria da própria
parlamentar, que dispõe sobre o parto humanizado no município de Belém. “A
gente sabe das dificuldades que os vereadores têm de aprovar projetos que podem
tumultuar o serviço público”, observou. Ela cita também que alguns dos
principais tópicos da proposta de sua autoria. Um deles estabelece que a
gestante tem direito ao acompanhante na hora do parto. Outro tópico envolve a
denúncia contra o profissional que comete violência obstétrica. “É uma questão
tão delicada, porque passa pela ética médica”.
A proposta aborda ainda a
mudança de formação dos profissionais, desde a academia. “Isso é uma questão de
humanidade”, acredita Meg, que ainda propôs a criação de um grupo para
conversar com o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, e pedir apoio político no
combate à violência obstétrica. “Porque tudo acontece por vontade política. Eu
tenho certeza que ele vai nos receber superbem e essa é uma causa justa.
Humildemente, quero me colocar à disposição de todos vocês e meu gabinete
estará sempre aberto”.
Fonte: O
Liberal

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