CASOS DE VIOLÊNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS AUMENTAM NO AM
Para a presidente da Associação LGBTT do Amazonas, Bruna
La Close, a violência contra homossexuais vai muito além das denúncias
registradas
No Amazonas, entre janeiro e outubro deste ano 14
homossexuais foram mortos e 207 sofreram algum tipo de violência. Em 2012 foram
15 mortos e 57 denúncias
João Vinicius*, 25, saiu
de uma festa, na Zona Oeste, se despediu do companheiro dele com um beijo e
acabou agredido por dois homens no estacionamento da casa de forró. Ele não
conhecia os agressores, mas supõe que tenha sido mais uma vítima de homofobia.
“Eu estava entrando no
carro quando ouvi alguém me chamar de ‘bichona’. Olhei pra trás e tinham dois
casais. Não imaginava que os homens iam me agredir. Eu falei para eles cuidarem
da vida deles, quando um avançou e me deu um soco. Tentei reagir mas o outro
veio e me derrubou no chão”, relatou.
O jovem faz parte de mais
uma triste estatística. O número de homossexuais que sofreram violência física
ou verbal neste ano ultrapassou os casos registrados em 2013, segundo
levantamento da Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
(LGBTT) do Amazonas.
Até o final de outubro,
207 homossexuais sofreram algum tipo de violência e 14 foram assassinados. O
ano passado fechou com 11 homicídios e 94 casos de discriminação contra
homossexuais.
Para a presidente da
Associação LGBTT do Amazonas, Bruna La Close, a violência contra homossexuais
vai muito além das denúncias registradas. “A violência contra os gays,
principalmente contra os travestis, é muito grande no Estado. Recebemos
diariamente vários relatos de travestis que sofreram algum tipo de violência ou
discriminação”, disse.
La Close denunciou, ainda,
que alguns travestis sofrem maus tratos e discriminação ao serem abordadas por
policiais. “Os policiais não aceitam quando elas mostram a Cédula de Nome
Social como identificação. Eles são grossos e preconceituosos nas abordagens.
Nós estamos fazendo um levantamento desses casos para encaminhar à
Ouvidoria-Geral do Sistema de Segurança Pública”, enfatizou..
A portaria assinada em
abril deste ano pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas, Paulo Roberto
Vital, assegura aos travestis e transsexuais a identificação pelo nome social
em documentos de prestação de serviço, ou qualquer outro tipo de documento onde
tenha que constar a sua identificação.
Preconceito
Outro problema enfrentado
pelos homossexuais são as demissões de soropositivos. Só neste ano a
organização registrou 58 casos. No ano passado foram 38. “Quando os patrões
descobrem que os empregados são portadores de HIV, acabam demitindo. Não é
preciso incluir gênero no currículo, mas muitos sentem dificuldade para serem
contratados quando os entrevistadores percebem que são homossexuais”,
finalizou.
Fonte/Foto:
Luana Carvalho – ACRITICA.COM/Winnetou Almeida


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