COOPERATIVA DE DETENTAS NO PARÁ É FINALISTA DO PRÊMIO INNOVARE



A Coostafe é a primeira cooperativa de mulheres presas do Brasil e está entre os três finalistas ao Prêmio Especial do Innovare, que será entregue em dezembro
A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) é finalista do Prêmio Innovare 2014, com o projeto da Cooperativa de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe). O anúncio dos 18 finalistas foi feito na última sexta-feira (14), na sede do instituto, no Rio de Janeiro. No total, 367 projetos de todo o país foram inscritos este ano.
A Susipe concorre na categoria Prêmio Especial, cujo tema é "Sistema Penitenciário Justo e Eficaz". A Coostafe é a primeira cooperativa de mulheres presas do Brasil e está entre os três finalistas ao Prêmio Especial. Entre os autores das práticas finalistas desta categoria estão uma advogada, um professor de matemática e uma pedagoga.
No total, 111 projetos foram inscritos na categoria Prêmio Especial. O Pará concorre com os Estados de Pernambuco e São Paulo, que apresentaram projetos de ressocialização de adolescentes pela educação (Case Jaboatão - o modelo brasileiro de ressocialização de menores) e um sistema de apadrinhamento voluntário de presos, no qual casais prestam assistência aos detentos e suas famílias (Apac de Recuperação de Presos), respectivamente.
A Coostafe foi criada em fevereiro deste ano, por portaria interministerial do governo federal. O projeto garante acesso ao trabalho e à geração de emprego e renda para as detentas, na economia solidária. As detentas envolvidas no projeto trabalham diariamente na produção de artesanatos, como pelúcias, crochês, vassouras ecológicas, sandálias e bijuterias, entre outros produtos que são comercializados em feiras e praças públicas de Belém, Ananindeua e Marituba.
"A Coostafe surgiu quando percebemos que havia uma grande quantidade de mão de obra ociosa no CRF (Centro de Recuperação Feminino). Resolvemos criar alguns cursos na unidade, em que as próprias presas eram as instrutoras. Chamamos mulheres que sabiam fazer crochê, fuxico e outros tipos de artesanato. O resultado foi uma grande quantidade de produtos”, conta a diretora do CRF e idealizadora da cooperativa, Carmen Botelho.
“Foi quando pensamos em fechar parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, ligado à Organização Brasileira de Cooperativas, para capacitar e qualificar essas internas. A ideia deu certo. Em julho deste ano, conseguimos o registro do CNPJ da Coostafe e tornamos o sonho de 21 mulheres presas realidade, através do empreendedorismo", conta a diretora.
Avaliação - Por cerca de três meses, os projetos indicados ao prêmio receberam visitas técnicas de 17 consultores do Instituto Innovare, que avaliaram pessoalmente a aplicação e eficácia das práticas inscritas, seu alcance e poder de replicabilidade para outras regiões. O relatório gerado pelas visitas foi entregue à comissão julgadora (formada por 30 respeitadas personalidades do meio jurídico e empresarial), para avaliação final.
"No Prêmio Innovare 2013, a Susipe já havia recebido uma menção honrosa pelo Projeto Conquistando a Liberdade. Estamos muito felizes por participar mais uma vez, e agora como finalista ao Prêmio Especial com a primeira Cooperativa de mulheres presas do país, que colocou o Pará ao lado de Estados como Pernambuco e São Paulo, que apresentaram excelentes práticas a um sistema penitenciário justo e eficaz. Mais do que ganhar o Prêmio, esperamos que a Coostafe possa servir como modelo e exemplo de ressocialização e empreendedorismo para o cárcere brasileiro", afirma o superintendente da Susipe, André Cunha.
Os vencedores do Prêmio Innovare 2014 serão conhecidos no dia 16 de dezembro, em Brasília. A cerimônia de premiação será no Supremo Tribunal Federal (STF). Os inscritos concorrem nas categorias Tribunal, Juiz, Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia e Prêmio Especial. "Estamos diante de uma abertura incrível. O cidadão está interessado na pauta do sistema judiciário e isso, por si só, já é uma inovação", comenta o ministro Gilson Dipp, que faz parte da comissão julgadora.
Criado em 2004, o Prêmio Innovare é uma das premiações mais respeitadas da Justiça brasileira. O objetivo é divulgar boas práticas e iniciativas inovadoras para a Justiça do país. O prêmio é concedido pelo Instituto Innovare, Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, Associação de Magistrados Brasileiros, Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação Nacional dos Procuradores da República e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e conta com o apoio das Organizações Globo. (Com informações do Instituto Innovare)
Fonte/Foto: Agência Pará de Notícias

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