‘PASSARAM POR CIMA DE NÓS’, DIZ SOBREVIVENTE DE CHOQUE ENTRE BARCOS EM ÓBIDOS-PA

Comerciante acredita que balsa foi a culpada pelo acidente.
Choque ocorreu em Óbidos e deixou uma pessoa morta.
O comerciante Carlos Serrano, de 48 anos, um dos sobreviventes do acidente entre um barco de madeira e uma balsa, na madrugada de terça-feira (26), em Óbidos, no oeste do Pará, em entrevista relatou os momentos que viveu a bordo da embarcação Capitão Xavier, durante a batida que ocasionou a morte de uma pessoa.
O acidente aconteceu no rio Amazonas, em frente à comunidade de São Lázaro, em Óbidos. A embarcação de madeira tinha quatro pessoas, sendo que uma morreu após ficar presa nos destroços entre as duas embarcações. O corpo de Railson Mota foi levado para Monte Alegre, também no oeste paraense, onde será enterrado. Estavam ainda na embarcação Alan Campos Matos, de 42 anos, e José Mailson Lima Silva, de 22 anos, que sofreram ferimentos leves.
Serrano sofreu leves ferimentos. Segundo ele, a embarcação saiu de Belém, na madrugada de sexta-feira (22), e estava a aproximadamente duas horas de Óbidos, em direção a Parintins. “A gente estava na costa, próximo à margem e fomos atingidos por trás pela balsa, segundo o que vimos lá, as fotos estão com a perícia”, relatou.
De acordo com Serrano, ele e os outros dois sobreviventes estavam dormindo no momento do acidente. A vítima fatal, Railson Mota, estava pilotando o barco. “Eu acordei dentro da água, com uma coisa me empurrando, era a balsa me empurrando, que estava por cima do barco, ela é muito maior que o barco. O comandante que estava na frente, deve ter tentado fazer alguma manobra”, acredita.
Após cair na água, Serrano tentou nadar, ainda sem entender o que estava acontecendo. “Eu não vi o barco, comecei a gritar pelo meu primo, pelo Alan, gritei pelos outros dois, nenhum dos dois respondeu, gritava pelo pessoal da balsa, correndo pela balsa. Acho que nem eles entendiam, acho que eles passaram por cima da gente sem saber”, acredita.
Segundo Serrano, ele e outros sobreviventes foram socorridos por um pescador e depois levados até a balsa. Ele ainda conta que os pescadores, que estavam próximos do local do acidente, se reuniram e prenderam a balsa. O sobrevivente conta que, conforme relatos dos pescadores, o estrondo causado pelo choque entre as duas embarcações foi muito grande. “Fomos para a balsa. Um funcionário se prontificou a ajudar a gente, os outros não estavam muito preocupados. Fizeram os primeiros socorros. A gente perdeu tudo: roupa, eu perdi três celulares, perdi a minha moto, câmera fotográfica, ipad”, conta.
Carlos Serrano nega que o comandante estivesse ingerindo bebida alcoólica. “Eu e meu primo temos sociedade para venda de peixe. O comandante não estava bebendo, ele foi contratado junto com o barco, a gente não ia permitir que ele bebesse. Tinha mais de R$ 20 mil investido em peixe. A gente já tinha lanchado, descansado e ia seguir viagem”, relata.
O sobrevivente contou que, depois do resgate, eles foram para a cidade de Óbidos, onde descansaram e se alimentaram. Ele culpa a balsa pelo acidente. “Eles alegam que o comandante do barco dormiu, outro diz que o cara deu foco para eles. Eles estão se contradizendo. As marcas que tem na embarcação mostram que os caras vieram por trás, então eles passaram por cima da gente”, enfatiza.
Investigações
A Capitania dos Portos de Santarém vai abrir um procedimento administrativo para apurar esse acidente. “A gente faz uma investigação, fomos ao local, já tiramos fotos. Em torno de 60 ou 90 dias, a Marinha tem uma posição. A gente manda para o tribunal marítimo. Ele verifica as regras de navegação, se foram seguidas. O resultado dessa avaliação pode ser utilizado pelo inquérito policial”, informou o comandante da Capitania dos Portos de Santarém, capitão Roberto Mendonça.

Fonte/Foto: G1 Santarém/41ª ZPol Óbidos - Divulgação

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