AMEAÇA A JUIZ NO PARÁ PREOCUPA CORREGEDOR
O corregedor-geral da
Justiça do Trabalho, ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, que iniciou
ontem de manhã uma visita de inspeção ao Tribunal Regional do Trabalho da 8ª
Região (TRT 8ª Região), disse que o trabalhou escravo deverá ser “um foco
específico” e que pretende tomar providências diante das dificuldades do
trabalho dos juízes no Pará. “Tem algumas Varas isoladas no interior e às vezes
um ou outro juiz ameaçado. Quero ver o que está acontecendo”, disse o
corregedor-geral que foi recebido pela desembargadora presidente do Tribunal,
Odete de Almeida Alves, pelo vice-presidente, desembargador Luis Ribeiro, e
pelo corregedor, desembargador Marcus Losada.
Ele se referia ao caso do
juiz titular da 2ª Vara Federal do Trabalho, de Marabá, Jonatas dos Santos
Andrade, que denunciou as ameaças que sofreu e está sob escolta policial. O
ministro disse que é preciso dar mais segurança para os juízes que trabalham no
interior do Estado.
Ives Gandra assumiu a
Corregedoria Geral do Tribunal Superior do Trabalho no ano passado e desde
março deste ano está realizando viagens de inspeção nos tribunais regionais.
Segundo ele, o TRT da 8ª Região é “um remanso de paz” e não apresenta problemas
como em outros estados, onde há casos até de juízes respondendo processos na
Justiça.
Uma das preocupações dele
é a implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJE) devido a “resistência dos
advogados acostumados com o processo físico” e aos problemas apresentados pelos
programas dos computadores, que “travam” por problemas com a internet causados
por falhas das operadoras.
Ives Gandra disse que a
legislação trabalhista precisa ser aperfeiçoada para deixar que cada categoria
negocie direitos específicos. “Não é a legislação de gabinete que vai resolver
os problemas. A lei rígida acaba acumulando conflito social”, afirmou. Segundo
ele, a negociação coletiva é melhor do que tentar onerar as empresas que rompem
acordos e não pagam ou ficam na ilegalidade.
No Pará, o índice de
execução das sentenças é de 50%, contra até 80% no Brasil. “Muitos ganham mas
não levam”. Em todo o país são 2 milhões de reclamações trabalhistas por ano,
outra dificuldade para os juízes que não dão conta do trabalho.
Fonte: Diário
do Pará

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