20 ANOS NA FUNÇÃO: 'MEDIR O NÍVEL DO RIO NÃO TEM PREÇO', DIZ RESPONSÁVEL POR SERVIÇO NO AM
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| Valderino durante medição do nível das águas. |
Valderino da Silva (foto) fala com orgulho da tarefa de ler cota do Rio
Negro.
Em época de cheia, ele é referência na divulgação; recorde foi
atingido.
Todos os dias, às 6h, período em que as águas do Rio Negro estão
mais calmas, um profissional do Porto de Manaus entra em uma pequena embarcação
rumo a um local importante no monitoramento da cheia. Em uma régua posicionada
naquela área, é dele a responsabilidade de fazer a leitura do nível das águas.
Nesta quarta-feira (16), Valderino Pereira da Silva cumpriu novamente a
atividade que desenvolve há mais de 20 anos, mas com uma diferença: o registro
do dia indicou que o Negro nunca havia subido tanto. Às 6h30, a cota era de
29,78 metros. A marca supera em 1 cm a registrada em 2009, quando o nível do
rio chegou a 29,77 m, o maior até então.
Engenheiro do porto há mais de quatro décadas, Valderino da Silva
tem 63 anos, é casado, pai de três filhos e formado em engenharia civil. Há 23
anos, é responsável pelo trabalho hidrográfico. Em época de cheia, imprensa e
diversos órgãos o procuram logo nas primeiras horas da manhã. É das anotações
dele que serviços como o Geológico do Brasil (CPRM) registra e desenvolve
análises sobre o nível das águas. O alerta de cheia também é resultado desse
estudo. "Tem dia que eu ainda nem fiz a leitura e já estão me ligando. Eu
não me importo, repasso a informação com maior prazer. Isso faz parte da minha
vida", afirma.
Desde o nascimento, seu Valderino, como é conhecido, diz já ter
testemunhado as maiores cheias no estado. "Em uma das maiores, de 1953
(29,69 m), eu tinha apenas 4 anos e não recordo. Mas da de 1976 (29,61 m) eu
lembro bem e foi muito ruim. A de 2009 (29,77 m) foi bastante divulgada pelos
meios, e quem acompanhou sabe o estrago que fez", diz.
Em relação à cheia de 2012, ele fala com a preocupação de quem vê
de perto o fenômeno. "Pelo jeito isso ainda vai continuar, as águas não
vão parar de subir agora. É algo que impressiona e infelizmente está causando
sofrimento a milhares. Esse trabalho me faz sempre ter pelo menos dois
pensamentos. O primeiro, de que é importante repassar esses dados para quem
analisa e pesquisa; o segundo, de que não é interessante ver o rio subir e o
sofrimento de milhares de famílias continuar", conta.
Sobre a satisfação da atividade que realiza, ele diz que a mesma
não está no seu contrato, mas a faz por dedicação e sem querer nada em troca.
De acordo com Valderino, apesar de considerar uma atividade simples, diz que
ela já lhe rendeu entrevista em rede nacional e uma condecoração na Assembleia
Legislativa do Estado. "Eu já entrei ao vivo no programa da Ana Maria
Braga, apareci no Jornal Nacional e ganhei a medalha Ruy Araújo por relevantes
serviços", destaca.
Apesar de ser funcionário do porto, Valderino da Silva é servidor
federal aposentado. Segundo o engenheiro, ele não tem previsão para deixar o
trabalho que realiza. "É uma atividade gratificante que não faz parte de
minhas obrigações, eu faço e com orgulho. Informar a sociedade não tem
preço", conclui.
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Na tarde desta
terça-feira (15), nível das águas quase encobria os números 2009.
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Fonte/Fotos:
G1 AM/ Marcos Dantas – Carlos Eduardo
Matos



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