
Estados Unidos e Rússia iniciam hoje em Riad negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. O país de Volodymyr Zelensky, no entanto, foi excluído das conversas e o presidente ucraniano disse que desconhece as condições de um acordo. Na prática, conhece, mas não pode aceitá-las. Documento obtido pelo Telegraph mostra que Donald Trump exige da Ucrânia um “reembolso” de US$ 500 bilhões. O acordo abrange o “valor econômico associado aos recursos da Ucrânia”, incluindo “recursos minerais, recursos de petróleo e gás, portos e outras infraestruturas”. Pelo texto, os EUA ficarão com 50% das receitas recebidas pela Ucrânia provenientes da extração de recursos e 50% do valor financeiro de “todas as novas licenças emitidas a terceiros”. Os termos do contrato chegaram ao gabinete de Zelensky há uma semana. E equivalem a uma colonização econômica da Ucrânia pelos EUA, gerando pânico em Kiev. Ao mesmo tempo, Trump parece disposto a deixar a Rússia fora de perigo. Ele alertou, em entrevista à Fox News, que a Ucrânia será entregue a Putin de bandeja se rejeitar os termos. “Eles podem fazer um acordo. Eles podem não fazer um acordo. Eles podem ser russos algum dia, ou podem não ser russos algum dia. Mas quero esse dinheiro de volta”, disse. Segundo Trump, os EUA gastaram US$ 300 bilhões na guerra. Na verdade, foram US$ 175 bilhões, dos quais US$ 70 bilhões foram gastos na produção de armas nos EUA. (Telegraph)
Sem acordo sobre o envio de tropas à Ucrânia. Foi assim que terminou a reunião de emergência em Paris destinada a chegar a um consenso sobre como responder às negociações em Riad. Alemanha, Polônia e Espanha relutaram a enviar forças de manutenção da paz à Ucrânia, horas depois de o Reino Unido ter se oferecido para atuar na região. A França propôs discutir uma “força de garantia” que ficaria estacionada atrás de uma futura linha de cessar-fogo na Ucrânia. Mas, após a reunião, o chanceler alemão, Olaf Scholz, cujo país vai às urnas em eleições nacionais neste domingo, classificou a discussão como “altamente inadequada”, dado que a guerra ainda está ocorrendo. (Financial Times)
Por outro lado, temendo os planos americanos para a Ucrânia e uma diminuição do apoio americano à segurança do continente, os líderes europeus reconheceram a necessidade de aumentar os gastos com defesa e buscar a autossuficiência. Scholz reafirmou seu apoio à proposta da União Europeia de usar uma cláusula de emergência para aumentar massivamente os gastos com a defesa, segundo a qual os países poderiam isentar as despesas com defesa dos limites da dívida e do déficit do bloco. (Politico)
E em meio a críticas de que os EUA estão agindo sem consultar parceiros relevantes sobre as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, reuniu-se ontem com o secretário americano de Estado, Marco Rubio, o conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, e o enviado de Trump ao Oriente Médio, Steve Witkoff. Os três americanos também vão se reunir hoje em Riad com autoridades russas para discutir o futuro da guerra Rússia-Ucrânia. (New York Times)
Stephen Collinson: “O presidente dos EUA anseia por um triunfo político precoce para alimentar suas reivindicações ao Nobel da Paz. Mas um fim para o conflito pode desafiar uma solução rápida, já que coloca questões existenciais para a Ucrânia e a segurança europeia. A guerra muitas vezes parece uma distração do que Trump realmente quer: a chance de sentar-se com Putin, um dos homens fortes globais que ele admira”. (CNN)
Nenhum comentário:
Postar um comentário