Bom dia! Começa uma semana chave para a economia. Na quarta tem decisão do Copom. A expectativa é que a Selic fique nos 13,75% – com o primeiro corte só na reunião de 2 de agosto. A diferença é que agora o BC terá de rebolar para justificar a manutenção. Quanto mais cai a inflação, mais aumenta o juro real. Em agosto de 2022, quando a Selic chegou aos 13,75%, o IPCA em 12 meses era de 8,72%. Ou seja: um juro real (acima da inflação) de 5,03%. Hoje, justamente por conta da manutenção dos juros em alta, o IPCA em 12 meses recuou para 3,94%. Juro real: 9,81%. Controlar a taxa de juros é como dirigir um carro com os freios avariados. Você pisa agora e o veículo só breca lá na frente. Em outras palavras: o efeito retardado dos juros em 13,75% seguirão freando a inflação mesmo depois de os cortes começarem. O IPCA despencou. A queda foi de 12,13%, em abril de 2022, até o patamar atual, já próximo à meta para 2023, que é de 3,25% (a de 3,00% secos é a meta para o ano que vem). A última vez em que a Selic se manteve por tanto tempo num patamar tão alto foi entre julho de 2015 e outubro de 2016 – 14,25%. Naquele ínterim, o pico do IPCA foi de 10,67% (dez. 2015). Quando veio o primeiro corte, nos estertores de 2016 a inflação estava em 7,87%, basicamente o dobro da taxa atual. A Selic seguiria baixando paulatinamente. E a inflação também – entre junho 2017 e maio de 2018 ficaria abaixo de 3%, numa época em que a meta era de 4,5%. São épocas diferentes, claro. O Brasil saía de uma recessão pesada, a do biênio 2015-2016, e o crescimento do PIB estava em esquálidos 1%. Agora, o crescimento acumulado em 4 trimestres é de 3,3%, acima dos 2,9% de 2022. Economia mais forte puxa inflação. Daí a cautela do BC. Seja como for, não há perspectiva real por um início dos cortes a partir de já. O mínimo que o mercado espera, porém, é um anúncio de que, caso a inflação continue a ceder até agosto, teremos um segundo semestre com cortes na Selic. Um discurso mais dovish, em suma. Entre terça e quarta, em paralelo à reunião de dois dias do Copom, o Senado vota o arcabouço fiscal. Uma vez aprovado, ele volta à Câmara, para ratificar as filigranas mudadas pelos senadores. Poderia ter sido alguns dias antes, para que o Copom tivesse a versão final do arcabouço nas mãos enquanto se reunisse. IPC-Fipe e Focus O índice que mede a inflação na cidade de São Paulo ficou em 0,00% na segunda quadrissemana de junho (ou seja, a soma das últimas duas semanas de maio com as duas primeiras do mês seguinte). Na anterior, o registro era de uma leve alta, em 0,11%. Mais um indício de que o IPCA do mês deve vir negativo – ainda mais após a nova redução na gasolina (que entrou em vigor na sexta), e com a baixa do dólar estrangulando a inflação cambial. No Focus desta segunda, aliás, a expectativa do mercado para a inflação ao final do ano caiu para 5,12%, ante 5,42% na semana passada; para a Selic, baixou de 12,50% para 12,25%. Winds of change… Bons negócios! |
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