O mau humor que se abateu em Wall Street na sexta girou o mundo: fez as bolsas asiáticas fecharem no vermelho no pregão desta segunda, e empurra as europeias ladeira abaixo. Culpa da expectativa de que os juros nos EUA (e na Europa) seguirão em alta. No Brasil, dono do troféu de maior juro real do mundo, ainda há o agravante da rixa entre Lula e o BC. A coluna de Mônica Bergamo, na Folha, relatou no sábado: "O presidente Lula e ministros de seu governo consideram que o presidente do Banco Central, Roberto Campos, traiu a confiança que o governo depositava nele para dialogar e participar de um esforço conjunto". Tal traição teria vindo na quarta-feira passada, quando o Copom manteve a Selic em 13,75% pela quarta reunião seguida e deixou claro que não via horizonte para cortes na taxa. No comunicado pós-manutenção, o Comitê de Política Monetária do Banco Central disse: "A conjuntura eleva o custo da desinflação necessária para atingir as metas estabelecidas". A "conjuntura", no caso, é a previsão de déficit primário monstruoso no Orçamento de 2023 para o Governo Central (Tesouro, Previdência e BC): R$ 231,5 bilhões, ante um superávit de R$ 54 bilhões em 2022 – o primeiro em 8 anos. Num cenário com previsão de rombo relevante, seria surpreendente o Banco Central acenar com uma baixa nos juros. Tanto o governo sabe disso que, após a aprovação do Orçamento, Haddad anunciou um pacote de medidas visando aumentar a arrecadação e reduzir esse déficit – e, se tudo der certo, convertê-lo em um superávit de R$ 11 bilhões. O sucesso do pacote, porém, é uma incógnita. E o que está contratado no Orçamento é um rombo. Mesmo assim, Lula esperava contar com alguma expectativa de corte na Selic. Frustrado, passou a atacar o BC. O fato é que, independentemente do que acontece no Brasil, o mercado global abre a semana em baixa. Amanhã, Powell fala sobre a situação americana – e qualquer frase que soe levemente dovish ali pode mudar os rumos do mercado. Por aqui, também na terça, o Copom solta a ata da última reunião, detalhando as razões da manutenção da Selic. Ou seja: mais lenha para a fogueira. Bons negócios, na medida do possível. |
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