Dia cheio nos Estados Unidos: os futuros dos três índices de Nova York operam em ligeira alta enquanto os investidores esperam divulgações de peso. Além dos dados de preços ao produtor (PPI), de vendas do varejo e de produção industrial, hoje é dia de livro bege do Fed – um relatório sobre a situação econômica dos EUA que o BC americano publica oito vezes por ano. O Livro tem importância maiúscula para o humor dos investidores, porque serve de termômetro para as decisões do comitê de política monetária, o Fomc, que começa sua primeira reunião de 2023 em 31 de janeiro. O relatório virá acompanhado dos pronunciamentos de vários dirigentes regionais do Fed (apelidados de Fed boys): Raphael Bostic, Lorie Logan, James Bullard e Patrick Harker. Por aqui, os holofotes devem sair um pouquinho de Haddad em Davos para focar nas reuniões de Lula sobre salário mínimo, aqui no Brasil. O presidente deve conversar com lideranças sindicais e com seu ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ao longo do dia. O novo ministro da Fazenda faz o possível para domar o leão faria limer com declarações pró-mercado, mas não pode contar com seus aliados: o Valor revelou hoje que o governo continua arquitetando sua mudança na Lei das Estatais. A ideia seria abrir espaço para nomeações de cunho político em conselhos de administração, o que daria 317 vagas a aliados de Lula (se cargos de direção também entrassem nessa conta, seriam 589 posições ao todo). A Americanas, que um dia chamou o Rial, agora chama a Camille – Camille Faria, que foi diretora financeira da Oi durante a recuperação judicial da empresa, e agora deve ocupar o mesmo cargo na varejista. A CFO é conhecida, nas trincheiras da Faria Lima, como o nome para navegar através dos ventos contrários de uma RJ. Para adicionar insulto à injúria, uma chamada do Globo revela que a Americanas pagou R$ 333 milhões em dividendos para seus acionistas ao longo do ano passado – um recorde na década –, versus R$ 90 milhões da Magalu e nenhum centavo da Via. O BTG Pactual continua sua caçada pela cabeça de Lemann e companhia: implorou novamente ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) pela suspensão da medida cautelar que protege a Americanas de seus credores. É a terceira investida: eles tentaram bloquear R$ 1,2 bilhão que a empresa tinha guardado no BTG, mas não rolou. Então, entraram com um recurso para manter o valor bloqueado, e também não rolou. E olha que o banco de André Esteves é “só” o quinto mais exposto à dívida. Nos EUA, o inferno astral tech continua: um contatinho anônimo do Wall Street Journal revelou que deve ocorrer mais uma demissão em massa na Microsoft nos próximos dias, talvez ainda na manhã desta quarta – e que este round de “compareça ao RH” será maior que os anteriores. As ações da companhia caíam 0,17% no pré-market, às 7h da manhã. Enquanto isso, a Apple adiou o lançamento do seu headset de realidade aumentada, alegando dificuldades técnicas no desenvolvimento do produto. Enquanto isso, a temporada de balanços deu um dia de folga: apenas a Alcoa, gigante do alumínio, divulgará seus resultados após o fim do pregão. Falando no mundo das coisas de pouca tecnologia embarcada, o otimismo com a reabertura chinesa impera. As duas commodities que fazem preço no Ibovespa abrem o dia de bom-humor, com o minério em alta de 0,90% na bolsa de Dalian, a US$ 124,27 a tonelada, e o Brent para março subindo 1,36%. O minério vem subindo desde novembro, quando Xi Jinping falou em aliviar os lockdows pela primeira vez, e anunciou um plano para salvar incorporadoras chinesas gigantescas do calote. A construção civil deles é a maior consumidora da matéria-prima extraída aqui. O petróleo parece ter um bom dia pela frente após um comunicado da Agência Internacional de Energia (AIE) que elevou sua projeção para a demanda global para 200 mil barris por dia em 2023. O motivo também é a expectativa do reaquecimento econômico do tigrão asiático, com o fim da política covid-zero. A Petrobras sorri. Bons negócios. |
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