OLHAR OLÍMPICO

 



Skate brasileiro volta a correr risco de representar a patinação

Demétrio Vecchioli

Vocês se lembram da briga que antecedeu a estreia do skate nos Jogos Olímpicos? A confederação de patinação era reconhecida como a responsável por cuidar do skate no Brasil e seria a responsável por levar os brasileiros aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Aí Bob Burnquist uniu os skatistas, que ameaçaram boicote, assumiu a CBSk e conseguiu que ela fosse reconhecida como a entidade "oficial' do skate por aqui.

Seis anos depois, a discussão retrocedeu e, de novo, os skatistas podem precisar se submeter à Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP). No próximo dia 10 de fevereiro, uma sexta-feira, a assembleia da CBSk se reúne para deliberar sobre "a aceitação ou não da fusão da CBSk com a representação dos demais roller sports no Brasil". E a resposta deverá ser um sonoro não.

E isso deverá se tornar um problemão.

Contei em 2019 que, na mesma assembleia que aceitou a inclusão de nove federações internacionais, incluindo a CBSk, a World Skate colocou em votação a exigência de que cada país possa ter apenas uma federação associada. Na maioria das nações elas já eram unificadas, mas em Brasil, EUA, Holanda, Rússia, entre outros, uma entidade cuidava do skate e outra dos esportes que acontecem sobre patins.

No âmbito internacional também existiam duas federações, mas a de skate foi absorvida pela de patinação quando esta última ganhou do COI o direito de realizar uma competição de skate nas Olimpíadas. A World Skate hoje cuida das duas coisas, mas seus dirigentes são, quase todos, originários da patinação.

Como se sabe, a determinação de fundir CBSk e CBHP até os Jogos de Tóquio não foi cumprida. Novo prazo foi dado pela World Skate até o fim de 2022, mas ela novamente não foi atendida. Só que agora o Comitê Executivo diz que "a World Skate não mais vai reconhecer o status de mais do que uma federação por país".

"Em caso de nenhum acordo ser alcançado pelas diferentes entidades, o Comitê Executivo da World Skate, após ouvir a opinião da autoridade esportiva nacional competente, pode escolher a federação nacional responsável por todas as modalidades", diz o estatuto da World Skate aprovado no ano passado.

Então o que temos: CBSk e CBHP precisam se fundir, mas a CBSk vai rejeitar a ideia. Assim, a World Skate poderá se sentir no direito de, fazendo valer seu estatuto, escolher qual das duas vai representar o Brasil perante a ela. E nada indica que será a CBSk.

A confederação é presidida por Duda Musa, que recebeu três anos de suspensão pelo próprio Comitê Executivo da World Skate por criticar a entidade. A punição é, sem dúvida, exagerada (senão injusta), mas inclui a proibição de que ele siga à frente da CBSk, o que não está sendo cumprido.

Para tornar a situação ainda mais difícil, uma decisão da Justiça de São Paulo, no fim de dezembro, anulou o resultado da eleição de 2020 que reelegeu Duda como presidente da CBSk. No entender da Justiça, Eduardo Dias, vice na chapa vencedora, não poderia concorrer por não apresentar certidão negativa de débitos previdenciários. E aí a chapa deveria ser impugnada.

No mesmo dia que a decisão se tornou pública, noticiada pelo Olhar Olímpico, Duda convocou a assembleia do mês que vem, incluindo na pauta também uma "deliberação sobre a manutenção da atual diretoria até o trânsito em julgado". Com isso, pretende ter respaldo legal e político para não sair do comando da confederação até se esgotarem todos os recursos na Justiça, o que possivelmente só ocorra depois do fim do seu mandato.

Um apoio maciço da comunidade do skate brasileiro também poderá ser usado como recado para a World Skate, nos mesmos moldes daquela discussão de 2017: "Se nos obrigarem a representar a confederação de patinação, a gente pode fazer barulho e até boicotar as Olimpíadas". Por enquanto, isso é só uma conjectura.

Fato é que uma solução, aceita pela World Skate, seria algo parecido com uma federação partidária, recentemente permitida no Brasil. CBSk e CBHP teriam gestões independentes, caixas independentes, diretorias independentes, mas debaixo de uma nova entidade que existiria só para representar o Brasil perante a World Skate. É o mesmo que acontece nos esportes aquáticos dos EUA, por exemplo. No futebol, a confederação de futsal é independente, mas responde à Fifa por intermédio da CBF.

Hoje, não há nenhum indício de que CBSk e CBHP topem um combinado do tipo. O COB deveria estar de orelha em pé.

 
Stephanie Balduccini, nadadora brasileira
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Fina
 
  
Atletas mudam de equipe para a temporada 2023

Como antecipei aqui na semana passada, Stephanie Balduccini foi anunciada como reforço da natação do Pinheiros. E um baita reforço. Por ela ser a mais promissora nadadora do país e também uma das que mais pontuam nas competições nacionais. No Troféu Brasil do ano passado, teve o primeiro e o quinto melhores índices técnicos, e foi a segunda mais eficiente. Todas as três primeiras — ela, Giovanna Diamante e Ana Carolina Vieira — estão no Pinheiros agora.

Outra coisa que o assinante desta newsletter soube antes: Etiene Medeiros está tirando o pé da natação. Na quinta, a assessoria de imprensa dela informou que ela está de volta a Recife e que vai participar mais diretamente das atividades do seu instituto. No release, nada sobre novo clube e sobre treinamento competitivo, já que Fernando Vanzella segue em São Paulo.

Outras mudanças de clube: os irmãos Brandonn Almeida da Bruce Hanson voltaram para o Corinthians e Pedro Spajari saiu do Pinheiros, até então sua única equipe profissional, e foi para o Sesi. Para o lugar dele, o Pinheiros contratou Victor Alcará, ex-Corinthians. Já Marco Antonio Jr, que chegou a fazer parte do 4x100m do Brasil, mudou-se para a Unisanta, que também fechou com Gabriel Ogawa.

 
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BBB mais celebrada que nova ministra

Impressionante a rapidez com que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) comemoraram nas redes sociais a nomeação de Key Alves, reserva do Osasco, para ser uma das integrantes do BBB23. Porque, claro, isso merece muito mais festa do que a nomeação da medalhista olímpica Ana Moser para ser ministra do Esporte. Neste caso, tanto COB quanto CBV só se posicionaram depois da posse. Key não precisou nem passar pela porta da casa de Curirica.

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