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MERCADO FINANCEIRO
 
Índice retoma um patamar não visto desde abril com expectativa por baixada de bola do Fed nos juros e Bolsonaro ganhando terreno. Foram 2,35% hoje, e 7,01% na semana.
 
 
Por Alexandre Versignassi
 
 
Duas forças corroboraram para a alta desta sexta. De um lado, uma percepção relativamente sólida de que o Fed reduzirá o ritmo de alta dos juros a partir de dezembro. De outro, as eleições.
 
Vamos primeiro às eleições.
 
Hoje, o instituto Futura Inteligência, numa pesquisa encomendada pelo Banco Modal, apontou 50,5% dos votos válidos para Bolsonaro, versus 49,5% para Lula. Trata-se de um empate técnico, já que o Futura considera 2,2 pontos percentuais como sua margem de erro.
 
O resultado diverge da última pesquisa do Datafolha nos números, mas não na tendência. A do Datafolha deu Lula 52% X 48% Bolsonaro. Também se trata de um empate técnico, já que a margem de erro aí é de dois pontos. E o que temos é um cenário inédito na eleição presidencial.
 
Numa eventual vitória de Bolsonaro, a chance de privatização da Petrobras é maior do que zero (o cenário com uma vitória de Lula). Isso elevou com força as ações da estatal. Alta de 3,42% para PETR4 e de 3,40% para PETR3, ajudando o Ibovespa a romper a barreira dos 120 mil pontos ao longo do pregão. E no fim o índice fechou quase nisso: 119.928 pontos – o maior patamar desde abril. Se subir mais 1,36%, o Ibov volta à melhor marca do ano, que foi de 121.570, no dia 04/04.
 
Falou-se muito ao longo do dia que o Banco do Brasil também subia por conta das pesquisas, já que não falta torcida pela privatização dele. Que subiu, subiu. Mas a alta foi equivalente à média de todas as empresas do Ibovespa. Ficou em 2,48%. O Itaú, por exemplo, subiu até mais, 3,33%. Ou seja: as ações do BB definitivamente não entraram na onda eleitoral. Só na onda do maior apetite por ações mesmo.
 
Apetite que foi potencializado pelo nosso segundo assunto: uma percepção maior de que o Fed baixará a bola em dezembro. Vamos a ela.
 
Freio na "Selic" americana
 
Nesta manhã, rodou a "notícia" de que o Fed estaria pensando seriamente em anunciar só mais um ajuste de 0,75% nos juros, na próxima quarta. E baixar o ritmo para 0,50% em dezembro.
 
"Notícia" entre aspas porque não era notícia. Tratava-se de um artigo de Nick Timiraos, repórter sênior do Wall Street Journal responsável por cobrir o Fed para o periódico. No texto, Timiraos diz que "alguns membros do BC americano se mostram cada vez mais desconfortáveis com as grandes altas [de 0,75 pp a cada reunião]". Para embasar a afirmação, ele cita apenas declarações de 10 dias atrás, já dadas por todos os veículos, para reforçar a tese. Só tem um detalhe: o repórter é conhecido por ter ótimas fontes dentro do Fed. Só o fato de ele ter cravado o tal desconforto, ainda que sem citar algo novo, deixou o mercado eufórico.
 
Pouco tempo depois, Mary Daly, diretora do Fed, deu uma força extra ao lado touro do ringue financeiro. Disse que "o banco central deveria considerar a ideia de frear o ritmo das altas".
 
Resultado: escalada de 2,38% para o S&P 500, que o Ibovespa seguiu de mãos dadas (com a ajuda da Petrobras).
 
Caso role mesmo o freio nos juros, a alta em dezembro ficaria em 0,50% (ninguém ainda é louco de imaginar menos do que isso). Com os extremamente prováveis 0,75% de agora, os juros americanos fecham o ano em 4,50% – contra uma expectativa, até agora reinante, de 4,75%,
 
Pequenas diferenças às vezes bastam para gerar grandes negócios.
 
Bom fim de semana!
 
Maiores altas
Soma (SOMA3): 5,48%
Gol (GOLL4): 4,56%
B3 (B3SA3): 4,36%
EcoRodovias (ECOR3): 4,00%
Via (VIIA3): 3,96%

Maiores baixas
MRV (MRVE3): -7,18%
Cielo (CIEL3): -1,69%
Totvs (TOTS3): -0,89%
BB Seguridade (BBSE3): -0,88%
Vivo (VIVT3): -0,67%
 
Ibovespa: 2,35%, a 119.928 pontos
 
Em NY:
S&P 500: 2,38%, a 3.753 pontos
Nasdaq: 2,31%, a 10.859 pontos
Dow Jones: 2,47%, a 31.083 pontos
 
Dólar: - 1,33%, a R$ 5,14
 
Petróleo
Brent: 1,21%, a US$ 93,50
WTI: 0,64%, a US$ 85,05
 
Minério de ferro: 0,88%, a US$ 91,50 a tonelada, na bolsa de Cingapura

 

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