Até semana passada, a recuperação da bolsa brasileira vinha sendo atribuída a dois fatores, um doméstico e outro internacional. O doméstico é a eleição.
Jair Bolsonaro oscilou um ponto nas pesquisas, o que colocou o mandatário pela primeira vez à beira da margem de erro contra Lula, que lidera o pleito. A disputa aponta 52% dos votos válidos para Lula, contra 48% a Bolsonaro, de acordo com o agregador de pesquisas do Estadão.
Com a margem de erro das pesquisas de dois pontos para mais ou para menos, agora a disputa pareceria mais apertada. A Faria Lima comemorou. Investidores insistem em defender que as promessas liberais do ministro da Economia, Paulo Guedes, são a melhor alternativa para o país, isso enquanto o próprio ministro e Bolsonaro vão arrebentando as contas públicas para distribuir benefícios à população mais pobre na esperança de conquistar votos.
Só que isso foi até sexta-feira. No domingo, o aliado bolsonarista e ex-deputado Roberto Jefferson promoveu um dos episódios mais grotescos desta eleição. Em prisão domiciliar e usando tornozeleira eletrônica, Jefferson continuava tinha armas e granadas de uso exclusivo do Exército em casa. Seguia usando redes sociais, contrariando as imposições do regime de prisão e ainda atacou a ministra do Supremo, Cármen Lúcia.
Alexandre de Moraes determinou que Jeffeson voltasse ao regime fechado. Ele recebeu a Polícia Federal com tiros e granadas, atingindo dois policiais. O episódio desnorteou a campanha de Jair Bolsonaro. O presidente disse que mandaria o ministro da Justiça negociar a rendição do aliado, colocando o governo no centro da confusão. E precisou fazer dois pronunciamentos num esforço hercúleo de se desvincular do aliado.
É difícil cravar os impactos do episódio sobre o resultado da eleição. O que só faz ferver a ansiedade nessa reta final de segundo turno.
A semana será lotada de pesquisas, mas só a partir da quarta-feira elas devem começar a mostrar impactos do episódio.
E o pior é que o mundo não deve ajudar. Nesta segunda, a China divulgou – com atraso de uma semana – o PIB do terceiro trimestre e dados de comércio e produção industrial.
A economia chinesa cresceu 3,9% na comparação anual, acima dos 3,3% esperados por economistas consultados pela Bloomberg. Só que esse desempenho ainda está brutalmente abaixo da meta anual 5,5%, que também já era mais baixa em três décadas.
O desempenho relativamente baixo da economia chinesa se deve a uma crise imobiliária sem precedentes somada à política de Covid zero no país. No final de semana, o líder Xi Jinping garantiu um inédito terceiro mandato, mas não deu grandes pistas sobre os rumos que pretende dar para o país do ponto de vista econômico.
Péssimo para quem vive de vender matérias-primas para eles – caso do Brasil, claro.
Os preços do petróleo começam a semana em queda. Se a segunda maior economia do mundo está caminhando mais devagar, o resto do mundo também tende a fazer o mesmo. E isso diminui a demanda por combustíveis.
Por improvável que pareça, as ações da Petrobras ignoram o cenário externo desafiador e sobem. É, de novo, a tal expectativa pró-mercado eleitoral – baseada em poucos fatos. Na sexta, a estatal bateu recorde de valor de mercado, alcançando a marca de R$ 520 bilhões. É assim que a Faria Lima faz campanha eleitoral.
Boa semana.
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