O condado faria limer amanheceu com fé na bola de cristal do mercado: hoje termina a penúltima reunião do Copom em 2022, e os analistas fazem uma aposta unânime na manutenção da Selic em 13,75%. O anúncio está programado para 18h30. Nas palavras do Goldman Sachs, “Esperamos que o Copom deixe a taxa básica de juros inalterada em um restritivo 13,75%, juntamente com uma orientação conservadora, indicando que permanecerá vigilante e avaliará se a estratégia de manter a taxa básica no nível atual por um período de tempo suficientemente prolongado será capaz de garantir a convergência da inflação para a meta". No ringue do segundo turno, a ressaca pós-tiroteio na prisão de Roberto Jefferson foi seguida de outra granada: em busca de um jeito de financiar a festança eleitoreira do Auxílio Brasil, o Estadão revelou que o Ministério da Economia tem um plano para acabar com as deduções de saúde e educação no imposto de renda – medida que atinge em cheio a classe média, acostumada a conseguir um desconto do leão por meio dos gastos com plano de saúde e escola particular. Mais um golpe na campanha bolsonarista. Guedes nega que tal documento exista. Essas duas crises dificultaram a vida de Bolsonaro e fizeram os investidores liquidarem as ações das estatais que imaginavam privatizadas num eventual segundo mandato do presidente (PETR4 e BBAS3 desabaram quase dois dígitos no pregão de segunda e caíram mais um pouquinho ontem). Os últimos dias foram dedicados a reforçar o que seria uma carteira de ações pró-Lula, o que deixou a bolsa brasileira descolada das altas no exterior. Os ânimos do dia de hoje vão depender da maneira como os investidores vão analisar as novas rodadas de pesquisas eleitorais. Só hoje, saem três. Exterior Os futuros de Nova York estão cabisbaixos com o desenrolar da temporada de balanços do terceiro trimestre. Microsoft e Alphabet estão caindo mais de 6% nesta manhã após apresentarem resultados financeiros insatisfatórios: o lucro da empresa de Bill Gates caiu 14% em relação ao 3° tri do ano passado (foram US$ 17,6 bilhões, o pior desempenho desde o 2º tri de 2020). Por sua vez, a dona do Google amargou uma redução de 26,5% no mesmo período – o que é ruim não só porque o número de US$ 13,9 bilhões veio abaixo da expectativa, mas também porque a Alphabet sofre com uma de suas mais sólidas fontes de receita, que são anúncios no YouTube (houve uma queda de 1,9%, a primeira desde que eles começaram a divulgar esse dado, em 2020). Por ora, essas duas decepções ditam o humor em Wall Street, e os futuros estão no vermelho. Especialmente a Nasdaq, que marcava -1,51% às 8h da manhã. Mas haverá muitos balanços hoje, com potencial para trazer paz ao coraçãozinho gringo: a seguradora Barclays, o Santander (que abre a safra de bancos no Brasil), a Heineken e a Boeing apresentarão seus resultados antes do início do pregão; Meta e Ford vão deixar seus anúncios para depois do fechamento. Zuckerberg não tem muito potencial para dar um gás na Nasdaq: todos esperam péssimos resultados após o fracasso do Metaverso, e o Tik Tok rouba usuários e tempo de tela do Instagram. Bons negócios. |
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