ANÁLISE | SEM CHANCES DE VIRADA DE BOLSONARO NO 2º TURNO!

- Por Joniel Abreu (*)

 

O resultado do 1º Turno apontou uma diferença de mais de 6 milhões de votos de Lula para Bolsonaro e não podemos deixar de considerar que o capitão está no exercício da função de Presidência da República (com a força da máquina pública a seu favor).

 

Compareceram as urnas o total de 123.682.372 eleitores (79,05%) e se abstiveram, isto é, não compareceram as urnas, 32.770.982 eleitores (20,95%). Desse total que compareceram as urnas 118.229.719 foram computados como votos válidos, 3.487.874 foram votos nulos e 1.964.779 em brancos.

 

Dos votos válidos, Lula obteve 57.259.504 e Bolsonaro 51.072.345 somando um total de 108.331.849. Os 9.897.870 votos restantes foram divididos entre os demais candidatos presidenciáveis derrotados no 1º turno, mas há de destacar que Simone Tebet e Ciro Gomes obtiveram desse montante 8.514.710, sendo 4.915.423 em Tebet e 3.599.287 em Ciro.

 

Considerarmos que quem votou em Lula e Bolsonaro no 1º turno repetirão votos no 2º turno, já se tem uma diferença de 6 milhões de votos de vantagem de Lula sobre Bolsonaro e podemos assim traçar os possíveis resultados em cinco situações que só apontam para a derrota do capitão:

 

A PRIMEIRA SITUAÇÃO é na disputa dos VOTOS VÁLIDOS do 1º turno. A fatia em disputa é de 9.897.870 votos. Desse total 8.514.710 votos foram em Simone Tebet e Ciro Gomes que para o 2º turno já se manifestaram seguir com Lula o que deixa o petista com possibilidade de conquistar maior parcela desses votos. A conclusão nesse caso seria pelo crescimento ainda mais do candidato petista no 2º turno.

 

A SEGUNDA SITUAÇÃO seria a disputa entre os VOTOS NULOS E EM BRANCO que somaram 5.452.653 que mesmo assim vai dividir com Lula da Silva. Mesmo que Bolsonaro conquistasse todos os votos nulos e em branco, esses não seriam suficientes para se igualar a Lula, já que a diferença do 1º turno foi de mais de 6 milhões. Nesse caso, não tem chances para a virada.

 

A TERCEIRA SITUAÇÃO considerando as ABSTENÇÕES. Foram 32.770.982 eleitores (20,95%) que não compareceram as urnas. Duas justificativas tem ganhado relevância: (i) Falta de opção, pois nenhum candidato agradou. Essa justificativa leva a presumir que dificilmente esses eleitores voltarão às urnas no 2º turno, pois não houve inclusão de novo candidato; (ii) falta de recurso para deslocamento, motivo que levou ao tal “passe livre”, inclusive com anuência do STF com o julgado nos autos da ADPF nº 1.013/DF que entendeu ser legal a gratuidade por ser medida que garante o direito-dever do sufrágio obrigatório no Brasil. Indo as urnas esses eleitores no 2º turno é evidente que não estão satisfeitos com o atual governo, logo, não se vislumbra agregar votos em massa a Bolsonaro, visto que, precisaria de mais de 6 milhões de votos da abstenção, somente para se igualar a Lula, mas devido a circunstância da causa motivadora da abstenção, poderá ser votos em oposição.

 

A QUARTA SITUAÇÃO não pode ser descartado, que no 2º turno aumente ainda mais: (i) abstenção, (ii) votos nulos e (iii) votos em branco. Esses fatores só terá a prejudica Bolsonaro, pois Lula já se encontra com vantagem de mais de 6 milhões a sua frente.

 

A QUINTA SITUAÇÃO seria a MUDANÇA de voto no 2º turno. Nesse caso a possibilidade de mudança de voto seria de Bolsonaro para Lula e não ao contrário. Grande parte de lideranças politicas que acompanharam Bolsonaro no 1º turno são desapegadas de questões ideológicas. Apoiam candidatos por interesses fisiológicos! Com a chance real de Lula vencer, a aliança com o petista passa a ser vista como a oportunidade de permanência no Poder dessas lideranças, assim mudar voto para Lula seria sua estratégia. Mesmo assim, caso considerássemos haver mudança de voto de Lula para Bolsonaro, não conseguiria mais de 6 milhões.

 

Como se vê, diante dos dados coletados e sua análise, as chances de viradas de Bolsonaro no segundo turno é praticamente impossível!

 

 


(*) JONIEL ABREU é advogado, doutorando em Direito

 

 

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