Foi bom enquanto durou: o gás nas bolsas americanas, injetado pela manhã após o relatório de empregos dos EUA, minguou rapidamente ao longo do dia. Os índices acionários, que haviam virado para o azul com a divulgação do payroll, voltaram a amargar no vermelho no fechamento do pregão: S&P 500 - 1,07%, Nasdaq -1,31%. É a terceira semana de perdas nas bolsas americanas. O Ibovespa também perdeu força ao longo da sexta, mas fechou o dia no azul: alta de 0,42%, aos 110.864 pontos. O que aconteceu no meio do caminho? Nada, na verdade. Investidores simplesmente reconsideraram a ideia de que o leve aumento no desemprego seria uma notícia tão boa assim para o mercado. O payroll de agosto mostrou que o desemprego nos EUA subiu de 3,5% para 3,7% na comparação mensal; já o número de novas vagas criadas foi de 315 mil, uma desaceleração ante às 526 mil de julho. São números que podem ser interpretados negativamente, é claro: a economia americana, já em recessão técnica (os EUA vêm de dois trimestres com PIB negativo), estaria perdendo ainda mais forças. O mercado, porém, escolheu ver o lado cheio do copo: se a economia anda cambaleante, o Fed, banco central dos EUA, deve maneirar na sua trajetória de aumento dos juros. Afinal, subir muito a taxa combate a inflação, mas ameaça colocar a economia em recessão. Nisso, as apostas para um aumento mais agressivo agora na reunião de setembro – de 0,75 pontos percentuais – diminuíram de 75% para cerca de 50% pela manhã. As bolsas, por sua vez, subiram (afinal, juros altos só machucam a renda variável). Primeiro porque os números do payroll nem mostraram uma piora no mercado de trabalho tão acentuada assim – na verdade, eles vieram quase em linha com o previsto. Segundo porque, já há algum tempo, o Fed vem deixando claro qual vai ser sua postura a partir de agora: combater a inflação a qualquer custo, mesmo que isso coloque a economia em recessão. No simpósio de Jackson Hole, Jerome Powell, presidente do BC americano, foi o mais claro quanto a isso possível. O evento aconteceu na semana passada e o tom do Fed foi especialmente negativo para o mercado, levando a profundas perdas nas bolsas nesta semana. O payroll pode até ter feito os investidores esquecerem das duras palavras ditas em Wyoming há uma semana por algumas horas, mas logo o fantasma dos juros altos voltou a assombrar a o #sextou de Wall Street foi no vermelho. Moral da história? As apostas de que o próximo aumento virá alto (0,75 p.p.) voltaram a ser majoritárias, e o mercado voltou a chorar com o fato de que o Fed agressivo veio para ficar. Desde Jackson Hole, as bolsas americanas perdem 4%. O Ibovespa seguiu a mesma trajetória do seu primo americano: começou a sexta-feira em forte alta, mas perdeu força ao longo do dia. A diferença é que fechou em alta de 0,42%, aos 110 mil pontos. Na semana, porém, o índice brasileiro perde 1,28%. Bom final de semana. Maiores altas Eztec (EZTC3): 8,42% JHSF (JHSF3): 8,28% MRV (MRVE3): 8,14% Cyrela (CYRE3): 7,86% Braskem (BRKM5): 6,84% Maiores baixas IRB Brasil (IRBR3): -12,86% Americanas (AMER3): -4,14% Petz (PETZ3): -3,88% Via (VIIA3): -3,13% Azul (AZUL4): -2,90% Ibovespa: 0,42%, aos 110.864 pontos Em Nova York S&P500: 1,07%, aos 3.924 pontos Nasdaq: 1,31%, aos 11.630 pontos Dow Jones: 1,07%, aos 31.318 pontos Dólar: 1,02%, a R$ 5,1848 Petróleo Brent: 0,71%, a US$ 93,02 WTI: 0,30%, a US$ 86,87 Minério de ferro: -2,48%, cotado a US$ 96,60 por tonelada na bolsa de Dalian (China) |
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