Sai hoje às 9h30, o dado de desemprego mais importante dos últimos tempos nos EUA. Todo mês, o Bureau of Labor Statistics pesquisa as folhas de pagamento de empresas e órgãos do governo para medir quantas vagas foram criadas, ou extintas. Então divulga esse número, mais uma estimativa para o índice de desemprego por lá, num boletim chamado Employment Situation – mais conhecido como Payroll ("folha de pagamento"). O Payroll de hoje é referente ao mês de agosto. E trata-se de um dos dados econômicos mais importantes que vão rolar daqui até a próxima reunião do Fed, nos dias 20 e 21 de setembro, para decidir de quanto será a próxima alta na "Selic" deles, atualmente em 2,5%. Motivo: se a criação de vagas vier robusta e o desemprego, esquálido, o Fed se sentirá livre, leve e solto para fazer o que pretende: subir os juros com força e matar de uma vez a maior inflação americana das últimas quatro décadas (8,5% em 12 meses). A situação é tão feia que, em 2022, a inflação deles é maior que a do Brasil: 5,29% lá até julho, versus 4,77% por aqui. Logo, o Fed quer agir rápido. E os últimos dados do Payroll vêm dando combustível para isso. Em julho, criaram-se 528 mil vagas, e o índice de desemprego ficou em 3,5%. Trata-se de um dos menores níveis em todos os tempos – equivalente aos da década de 1960, quando o PIB americano crescia a taxas chinesas. Pleno emprego, basicamente. Juros combatem inflação a golpes de recessão. Caso os dados deste Payroll venham tão positivos de novo, o Fed talvez entenda que o país aguenta uma pancada de mais 0,75 ponto percentual nos juros agora em setembro. E provavelmente aguente mesmo. No mercado, porém, a história é outra. Juros em alta significa menos dinheiro circulando. E com menos dinheiro circulando sobra menos para as ações. A renda fixa também passa a pagar mais. Quem se deu bem com as altas no S&P 500 nos últimos anos, de juro zero, tende realizar o lucro e atracá-lo no porto seguro dos títulos públicos. A precisão dos economistas consultados pelo Dow Jones é de que a taxa de desemprego fique em 3,5%, mas que a criação de vagas seja um pouco menor – 318 mil. E os mercados operam em compasso de espera, como S&P 500, Nasdaq e Dow Jones basicamente no zero a zero (veja abaixo). É isso: um dado bom hoje pode ser gerar uma queda na bolsa, e vice-versa. Também não dá para descartar a hipótese de que o mercado simplesmente entenda que uma economia forte, com pleno emprego, é o mais importante, e o S&P 500 simplesmente suba após a divulgação. A ver. |
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