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Abril Comunicações
ABERTURA DE MERCADO
 
Expectativa é para a criação de 300 mil vagas, com manutenção do desemprego em baixíssimos 3,5%. Entenda porque isso gera tensão no mercado.
 
 
Por Alexandre Versignassi
 
 
Sai hoje às 9h30, o dado de desemprego mais importante dos últimos tempos nos EUA. Todo mês, o Bureau of Labor Statistics pesquisa as folhas de pagamento de empresas e órgãos do governo para medir quantas vagas foram criadas, ou extintas. Então divulga esse número, mais uma estimativa para o índice de desemprego por lá, num boletim chamado Employment Situation – mais conhecido como Payroll ("folha de pagamento").
 
O Payroll de hoje é referente ao mês de agosto. E trata-se de um dos dados econômicos mais importantes que vão rolar daqui até a próxima reunião do Fed, nos dias 20 e 21 de setembro, para decidir de quanto será a próxima alta na "Selic" deles, atualmente em 2,5%.
 
Motivo: se a criação de vagas vier robusta e o desemprego, esquálido, o Fed se sentirá livre, leve e solto para fazer o que pretende: subir os juros com força e matar de uma vez a maior inflação americana das últimas quatro décadas (8,5% em 12 meses). A situação é tão feia que, em 2022, a inflação deles é maior que a do Brasil: 5,29% lá até julho, versus 4,77% por aqui. Logo, o Fed quer agir rápido.
 
E os últimos dados do Payroll vêm dando combustível para isso. Em julho, criaram-se 528 mil vagas, e o índice de desemprego ficou em 3,5%.
 
Trata-se de um dos menores níveis em todos os tempos – equivalente aos da década de 1960, quando o PIB americano crescia a taxas chinesas. Pleno emprego, basicamente.
 
Juros combatem inflação a golpes de recessão. Caso os dados deste Payroll venham tão positivos de novo, o Fed talvez entenda que o país aguenta uma pancada de mais 0,75 ponto percentual nos juros agora em setembro.
 
E provavelmente aguente mesmo. No mercado, porém, a história é outra. Juros em alta significa menos dinheiro circulando. E com menos dinheiro circulando sobra menos para as ações. A renda fixa também passa a pagar mais. Quem se deu bem com as altas no S&P 500 nos últimos anos, de juro zero, tende realizar o lucro e atracá-lo no porto seguro dos títulos públicos.
 
A precisão dos economistas consultados pelo Dow Jones é de que a taxa de desemprego fique em 3,5%, mas que a criação de vagas seja um pouco menor – 318 mil. E os mercados operam em compasso de espera, como S&P 500, Nasdaq e Dow Jones basicamente no zero a zero (veja abaixo).
 
É isso: um dado bom hoje pode ser gerar uma queda na bolsa, e vice-versa. Também não dá para descartar a hipótese de que o mercado simplesmente entenda que uma economia forte, com pleno emprego, é o mais importante, e o S&P 500 simplesmente suba após a divulgação.
 
A ver.
 
 
• Futuros S&P 500: - 0,01%
• Futuros Nasdaq: - 0,12%
• Futuros Dow: 0,03%
 *às 7h19
 
 
 Índice europeu (EuroStoxx 50): 0,65%
• Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,67%
• Bolsa de Frankfurt (Dax): 1,35%
• Bolsa de Paris (CAC): 0,46%
*às 7h17
 
 
 Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): - 0,50%
• Bolsa de Tóquio (Nikkei): -0,04%
• Hong Kong (Hang Seng): - 0,74%
 
 
 
 Brent: 2,14%, a US$ 94,34
• Minério de ferro: -1,09%, a US$ 95,15 a tonelada na bolsa de Cingapura
*às 7h11
 
 
EUA, 9h30: Payroll, o relatório sobre a situação do emprego nos Estados Unidos.
 
 
 
Not made in China
Grandes companhias americanas estão, aos poucos, tirando seus parques industriais da China e migrando para vizinhos asiáticos, como Índia, Vietnã e Malásia. A China é o principal polo industrial de produtos eletrônicos do mundo, por oferecer mão de obra abundante e um mercado consumidor idem. Mas as empresas do Tio Sam estão começando a pesar o lado geopolítico da coisa, depois que o posicionamento dos EUA sobre Taiwan aumentou a tensão entre as duas maiores economias do mundo. O medo de empresas como Apple e Google é ficar no fogo cruzado caso os dois países rompam de vez.
E tem também o receio de que o hiato de produtividade chinesa interfira nos negócios. A China vem passando, até agora, por vai-e-voltas de surtos de covid e medidas de contenção severas, que balançaram (e pausaram) a cadeia produtiva do país. Não por acaso, o PMI industrial, que mede a atividade no setor, contraiu pelo segundo mês consecutivo em agosto – segundo dados divulgados pelo S&P Global/Caixin na quarta.
 
 
Recessão europeia
Até agora, a Europa tem se virado bem diante do combo guerra na Ucrânia + caos climático. Mas tudo indica que a situação pode começar a se deteriorar nos próximos meses. Por 3 motivos: 1) a indústria está pressionada; 2) o consumo deve começar a cair para o setor de serviços; 3) o continente vai enfrentar a crise de energia no inverno justamente enquanto o BCE sobe as taxas de juros. Aqui, a The Economist destrincha esses 3 tópicos.
 
Promessas de campanha não fecham a conta
O grande tema das eleições de 2022 está definido: a economia. As promessas de campanha dos candidatos à presidência estão apelando especialmente para o bolso dos eleitores, e vão da a manutenção/aumento no valor do Auxílio ao aumento da faixa de isenção do imposto de renda. Só tem um problema: hoje, o orçamento público não tem dinheiro para nada disso. A proposta de Orçamento para 2023, apresentada pelo Ministério da Economia nesta semana, tem 93,7% dos recursos da União engessados em despesas obrigatórias. Para colocar dinheiro em novos benefícios, só tirando de outro lugar – mas nenhuma das campanhas, até agora, detalhou exatamente qual é o plano. O Globo fala sobre isso aqui.

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