Os futuros americanos amanheceram em alta, ainda dançando ao sabor da semana passada – entre terça e sexta (foi feriado na segunda), o S&P 500 subiu 4,07% e a Nasdaq, 4,91%, sem nenhum pregão encerrado no vermelho. Um alívio após um agosto de urso solto. A semana que começa hoje vai pôr a prova esse surto de bom humor no mercado, com a divulgação de uma sequência de indicadores no Brasil e na gringa. Na terça (13), vem o CPI de agosto – equivalente americano do IPCA. Depois, na quarta (14), é vez do PPI, o índice de preços ao produtor. A ladainha de Wall Street é a mesma de sempre: se houver uma desaceleração razoável, talvez o Fed não precise subir tanto os juros. Por enquanto, as apostas seguem em alta de 0,75 ponto percentual, a terceira em sequência. Um alívio na inflação faz investidores ventilarem um afago por parte de Powell e seus colegas, com uma alta de 0,5 p.p. na reunião que se encerra em 21 de setembro. Antes de alimentar esperanças, vamos ao choque de realidade. A inflação nos EUA está, sim, desacelerando. Os preços atingiram o pico de 9,1% anuais em junho. Em julho, a inflação foi de 8,6%. Agora, a expectativa de economistas ouvidos pela Bloomberg é que o CPI de agosto venha em 8%. Legal. Só que a meta do Fed é de 2%. E os juros estão subindo em doses cavalares justamente para fazer a inflação voltar a se comportar. Os dirigentes do Fed já avisaram, de novo e de novo, que duas quedas consecutivas da inflação são só sinal de que a política monetária linha-dura está funcionando (e não de que é hora de pegar leve). Ou seja: melhor não contar com um Fed mais suave. E, de resto, o pessimismo ainda está entranhado no mercado. O Wall Street Journal conta que 240 empresas que compõem o índice S&P 500 mencionaram a palavra “recessão” em reuniões realizadas com acionistas após a divulgação dos últimos balanços – um recorde na série histórica deste indicador peculiar, que começa em 2010. No Brasil, é semana de dados da atividade econômica de julho, e as expectativas são bastante díspares. O IBGE divulga amanhã (13) a sua Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), e a previsão do Itaú, de acordo com o InfoMoney, é de alta de 0,5% em julho. Se confirmado, seria mais um número para sustentar as expectativas de crescimento do PIB. Só que aí, para a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que sai na quarta (14), espera-se uma queda de 0,9% (sem ninguém em particular puxando para baixo: todos os segmentos deverão cair em harmonia). Por fim, o Banco Central divulga o IBC-Br, um índice de atividade econômica, na quinta (15); espera-se que ele venha estável. Apertem os cintos com o calendário cheio. E não esperem um milagre de Natal – não é Natal. Boa semana! |
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