PALAVRA DE GENERAL | O SHOWMÍCIO CÍVICO-MILITAR DE BOLSONARO NÃO SERÁ O QUE PODE PARECER
Então, acredite-se no que disse ao Ministério Público Federal o
general Sérgio Borges de Medeiros da Silva, chefe do Estado-Maior do Comando
Militar do Leste, a propósito do ato eleitoral-militar a ser protagonizado,
hoje, por Bolsonaro no Rio.
O Exército, segundo despacho do general, “prima pela isenção
político-partidária”; os militares “trabalham, diuturnamente, balizados pela
irrestrita observância aos preceitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico
vigente”. E, por fim:
“As comemorações oficiais não devem ser vistas como manifestações
político-partidárias, vez que se traduzem em demonstrações cívico-militares de
amor pelo Brasil e contribuem para o fortalecimento de valores e para a
manutenção da Unidade Nacional.”
O general não explicou por que o desfile do 7 de setembro no
centro da cidade foi cancelado; dará lugar a um showmício em Copacabana com
direito a salva de tiros de canhão, bandas militares animando o público e
barcos da Marinha no mar.
Sim, a Esquadrilha da Fumaça sobrevoará a orla. Paraquedistas
cairão do céu, de preferência sobre a areia macia da praia. E o presidente da
República, do alto de um trio elétrico alugado por pastores evangélicos, falará
o que bem quiser aos seus devotos.
Portanto, como resta provado, as comemorações do Bicentenário da
Independência do Brasil “não devem ser vistas como manifestações
políticas-partidárias”; serão apenas “demonstrações cívico-militares de amor”
pelo país, nada mais que isso.
Por via das dúvidas, recomenda-se aos moradores de Copacabana e
arredores que se previnam. Os tiros de canhões podem quebrar vidraças das
janelas de seus apartamentos ou casas, como admitiu o Comando do Leste; melhor
deixá-las abertas a partir das 8h.
E não é de todo improvável que uma rajada forte de ar possa
desviar os paraquedistas da sua zona segura de pouso. No treino, ontem, pelo
menos três acabaram desabando sobre árvores e calçadas de prédios. O amor dos
militares pelo Brasil é comovente.
Fonte: Ricardo Noblat, Metrópoles


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