A segunda começa com cara de fim de festa – e atenção total para o que vem na sexta-feira. Os futuros das bolsas americanas abriram em queda robusta, ali na faixa de 1%, e dragaram junto as bolsas Europeias (que nem andam com muito motivo para subir).
O tombo ainda é ressaca da fala de Jerome Powell, no mais importante evento anual do Fed, o simpósio de Jackson Hole. O presidente do BC americano afirmou de maneira contundente que todos os canhões estão voltados à redução da inflação. Subir juros não basta, ele disse. Depois da escalada Everest acima, as taxas ainda deverão se manter no pico por um bom tempo, até que os ânimos inflacionários realmente se acomodem.
Sinais de esperança agora só na sexta, quando já será setembro e serão divulgados os dados de desemprego dos EUA.
Durante o mês de agosto, investidores tentaram contrariar o ditado do “mês do desgosto” e apostaram em uma recuperação do fundo do poço.
Do pico registrado no fim de 2021 até o buraco, o S&P 500 tombou 23% – entrou no chamado bear market. No melhor momento de agosto, a baixa foi reduzida para 10%. E investidores alimentaram a esperança de que o pior havia ficado para trás.
O breve otimismo foi preparado em uma mistura de alívio com a desaceleração nos preços das commodities, que poderia baixar a inflação, e a redução no volume de negócios típica da época do ano nos Estados Unidos. Investidor também é filho de deus e gosta de tirar férias no verão, afinal.
O alívio durou pouco e o caldo entornou. E Powell deu o empurrão que faltava para cimentar qualquer chance de decolagem dos mercados.
Curiosamente, porém, o Brasil habituado ao mês do cachorro louco consegue escapar do voo de galinha. O Ibov vai subindo 8,9%, isso mesmo após o susto que Powell deu no mercado na sexta.
A segunda, de qualquer maneira, começa complicada. O minério tomba quase 3% em Singapura, o que tem tudo para derrubar a Vale e puxar o índice. Para se segurar no azul, vai depender da Petrobras e da alta do petróleo.
O barril começou a semana subindo e se firmando acima dos US$ 101, mas não por aumento de demanda (o que até poderia ser uma notícia boa, sinal de que a economia global vai bem). Acontece que a Opep+, o cartel dos exportadores do óleo, quer reduzir a oferta do produto para controlar o preço – justamente porque acreditam que a economia global vai desacelerar ainda mais a demanda.
Boa semana.
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