Faz uma semana que Wall Street – e por tabela, a Faria Lima – está monotemática: ninguém dorme pensando na fala de Jerome Powell, presidente do Fed, na manhã desta sexta. O discurso no simpósio anual de Jackson Hole, no estado de Wyoming, começa às 11h no horário de Brasília.
Se ele der qualquer sinal de que o ciclo de alta nos juros vai arrefecer, as bolsas têm potencial para disparar ao infinito e além. E o dólar, por sua vez, vai rebolando até o chão. (Essa, inclusive, foi a esperança que moveu o mercado financeiro ontem, na ausência de outros motivos para otimismo: os três índices de Nova York fecharam em alta.)
Não precisa muita coisa, é só deixar a porta aberta para um aumento de 0,50 p.p. Esse otimismo parece fora de lugar, porém: a taxa básica de juros dos EUA ainda está baixa considerando a inflação de 8,5% em doze meses que eles precisam combater – bem mais provável, de acordo com os analistas é que o Fed emende a terceira alta seguida de 0,75 p.p. na reunião que ocorrerá entre 20 e 21 de setembro. E aí o clima de urso se instala de vez: pularíamos da faixa de 2,25% a 2,5% para 3% a 3,25% ao ano.
Os futuros da Big Apple abriram o dia com isso em mente: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registravam quedas de 0,26%, 0,40% e 0,56% às 7h da manhã. Na Europa, as bolsas operam quase estáveis, com uma ligeira queda, congeladas à espera da fala cabalística.
Na ânsia por palpites de Powell, o jeito foi botar uma pressão nos Fed boys – apelido dos dirigentes regionais do Banco Central americano. Ao longo da semana, Patrick Harker, da sucursal da Filadélfia, defendeu uma subida mais restritiva (os tais 0,5 p.p. dos esperançosos) em vez de altas bruscas agora e baixas bruscas no futuro. Só Harker, mesmo: Esther George, a Fed girl de Kansas City, não fez cafuné em Wall Street e já falou que os juros vão chegar em 4% até o final do ano. James Bullard, em St. Louis, também pediu 4%, e defendeu uma alta sem data para acabar.
Para os mais ansiosos, tem um alívio (ou não) às 9h30: o PCE de julho. Esse indicador de inflação produzido pelo Bureau of Economic Analysis, cuja sigla significa algo como “índice de despesas com consumo pessoal” (personal consumer expenditures), é “o índice preferido do Fed” – ou seja, o mais determinante para auferir a quantas andam as altas de preços por lá.
A fala de Powell será transmitida ao vivo na sala de conferência chiquérrima onde rola o encontro anual do Fed acontece desde 1982. Jackson Hole é um vale entre duas cordilheiras no interior dos EUA. O gramado que deixaria uma vaca malhada holandesa orgulhosa contrasta com picos nevados ao fundo. Vale espiar a vista enquanto você se estressa. Eis o livestream:
Bons negócios!
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