CONHEÇA A ‘GARI GATA DE BELÉM’ QUE VIRALIZOU NA INTERNET AO GANHAR ‘DIA DE PRINCESA’ DE FOTÓGRAFO
Anne Caroline Tavares é gari concursada da prefeitura de Belém e
ficou conhecida nas redes sociais nos últimos dias ao participar de uma sessão
de fotos vestida com o uniforme
Uma gari de Belém está chamando atenção nas redes sociais, desde a
quinta-feira (25), após ganhar “dia de princesa” e, em seguida, participar
de um ensaio fotográfico feito pelo
paraense Felipe Marques. O vídeo do momento em que o fotógrafo
convidando-a para a sessão de fotos, mostrando a produção e o resultado
viralizou na internet e alcançou mais de 18 mil curtidas.

Anne Caroline trabalhando nas ruas de Belém (Reprodução/ Arquivo pessoal)
Muitas pessoas elogiaram a atitude de Felipe e ficaram curiosas
para conhecer a história da ‘Gari Gata’ - como foi apelidada- , que na verdade
chama-se Anne Caroline Tavares, de 31 anos e é moradora de Ananindeua (PA).
Em entrevista ao O Liberal.com, ela revelou que nunca quis ser
gari e que o convite para trabalhar na manutenção da cidade veio por meio de
uma amiga. A princípio, Anne Caroline confessou que tinha muita vergonha da
profissão - vista ainda com muito discriminação - e pensou em desistir, porém, recebeu
incentivos de pessoas próximas e decidiu tentar.
Hoje, já como gari concursada, ela sente maior orgulho de exercer
ofício há mais de dez anos na Prefeitura da capital paraense. Além de trabalhar
limpando as ruas, Anne Caroline também é professora de educação física e
trabalha dando aulas de natação e futsal em projetos sociais na Região
Metropolitana.
Anne Caroline se formou em educação física (Reprodução/ Arquivo pessoal)
“Graças a essa função [de gari], essa profissão, essa farda, que
me dá tanto orgulho que eu consegui me formar como professora, consegui fazer
pelo fies a licenciatura, depois o bacharelado, pagando com o suor do meu
trabalho”, afirmou Anne Caroline visivelmente feliz pelas conquistas.
A paraense diz que costuma usar muitas as redes sociais para
mostrar o seu dia-a-dia e gosta de passar a seguinte mensagem: “Todo mundo pode
exercer o papel que quiser na sociedade”. De múltiplas profissões ao
empoderamento feminino, Anne Caroline contou que aceitou participar do ensaio -
apesar de certa resistência no começo - justamente para mostrar um lado que
poucas pessoas conhecem, e poder, claro, inspirar outros e também representar a
classe de garis da cidade.
“Eu nunca imaginava que iria receber um convite para fazer um
ensaio fotográfico no meio da rua, ser maquiada, de fato um dia de princesa.
Foi maravilhoso! Na hora, eu fiquei
surpreendida. O sentimento é de gratidão, porque só a gente sabe o preconceito
que nós [garis] sofremos. Só o fato de
abrir a boca para dizer que é gari, as pessoas já tem nojo, criticam, acham que
somos analfabetos, burros, não temos profissão e não é assim que funciona”,
pontuou a professora de educação física.
Sonhos
É por meio do árduo trabalho como gari que Anne Caroline conseguiu
comprar seu primeirinho “pedacinho” de terra. Durante a entrevista, ela contou
que tem como maior sonho e objetivo montar um espaço esportivo para levar as
práticas esportivas às áreas
periféricas.
“Quero poder proporcionar esporte para crianças que não tem
condições de pagar uma academia cara, um personal. Pode ajudar minha família e
gerar emprego e renda”, contou.
Repercussão
A servidora pública não imaginava que as fotos teriam tanta
repercussão positiva na internet. Ela comentou que está recebendo muitas
mensagens de carinho e sente-se orgulhosa por ler comentários do pais de
alunos: “Eles comentam muito ‘ela é professora de natação do meu filho’ ou ‘é
minha professora de hidroginástica'”. O sentimento que define Anne Caroline é o
de felicidade.
Preconceito
Após ver o resultado das fotos, Anne Caroline afirmou que ficou
encantada e se sentiu verdadeiramente bonita. Ela contou que os cliques a
ajudaram a elevar a autoestima, que às vezes, fica baixa pela falta de empatia
das pessoas. Segundo a servidora pública, a maioria não costuma cumprimentar os
garis, passam distante pelo odor da roupa - que segundo ela, é inevitável não
ficar com cheiro de lixo.
“Eu sinto preconceito na pele quando estou vestida com o meu
uniforme de gari, as pessoas me olhando com recriminação, mas quando estou
arrumada como uma professora, sou respeitada. O tratamento é totalmente
diferente. Não deveria ser assim. Ser gari é uma profissão digna! Deveríamos
ser valorizadas, com salários melhores, pois trabalhamos pegando sol, pegando
lixo dos outros. Merecemos mais respeito”, enfatizou Anne Caroline.
Fonte/Fotos: Amanda Martins – O Liberal/Felipe
Marques Fotografia



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