O problema é o crescimento – de novo. Nesta manhã, a OCDE reduziu a previsão do PIB global em 2022 para 3,0%, ante 4,5% previstos antes. Os culpados são velhos conhecidos: inflação + guerra na Ucrânia. É o que assombra investidores novamente nesta quarta-feira. Os futuros americanos amanheceram em queda, mesmo sinal das bolsas europeias. No bloco europeu, os sinais são mistos. O PIB da Zona do Euro avançou no primeiro trimestre acima das expectativas do mercado (0,6% ante o quarto trimestre, a estimativa era de 0,3%). Beleza. O problema é que amanhã os membros do Banco Central Europeu se reúnem para decidir o futuro da política monetária no bloco. E aí a coisa tende a apertar. Até aqui, eles vinham sendo mais cautelosos que outros BCs no mundo, alegando que o problema da inflação era mais de oferta (efeito-guerra) do que excesso de demanda (já que o crescimento do bloco pode ter sido maior, mas é modesto). Ainda assim, agora a expectativa é que eles decidam encerrar o problema de compra de títulos (o instrumento que injeta dinheiro na economia) e sinalizem com a primeira alta de juros. É a medida de combate à inflação, mas que pode frear ainda mais o crescimento. O problema não é só macro. Empresas começam a mostrar os efeitos negativos da reviravolta econômica. O Credit Suisse avisou o mercado que deve ter prejuízo no segundo trimestre. No Brasil, as expectativas não são melhores. A OCDE agora estima que o PIB do país crescerá pífios 0,6% no ano, ante a expectativa anterior de 1,4%. E para piorar, a economia agora enfrenta piruetas do governo para tentar reduzir o preço dos combustíveis. O efeito colateral deve ser combustível ainda mais caro. A irresponsabilidade fiscal fez o dólar disparar ontem – o que, além de tudo, causa mais inflação. |
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