Reunião do comitê de política monetária é a Copa do Mundo no mercado financeiro: todo mundo faz bolão. A diferença é que o bolão aí tem reflexo no mundo real: ele dita a cotação das bolsas.
Quando espera-se que da reunião saia uma alta nos juros, as bolsas caem. No caso dos juros dos EUA, é como se o Neymar da economia deles tivesse quebrado uma perna na semana passada. A inflação de maio veio bem maior que a esperada – 1% (substancialmente maior que a nossa, inclusive, de 0,47%).
Isso mudou os bolões do mercado. Até lá, esperava-se que o Fomc (o comitê de política monetária do Fed) subisse os juros em 0,50 ponto percentual, para 1,50%. Dali em diante, ficou claro para a maior parte dos analistas que o Fed não ficaria quieto diante de uma alta de 1% nos preços. A expectativa para o aumento dos juros na reunião de hoje, então, saltou para 0,75 pp – se for, será o maior acréscimo desde 1994.
Essa virada de chave aprofundou a queda nas bolsas, já que juros em alta são o maior inimigo da renda variável.
Por aqui, o consenso segue apontando para um aumento de 0,50 pp na Selic, pois a inflação de maio veio menor que a esperada. Não faria sentido, então, o Banco Central pesar na mão.
Hoje vamos saber o resultado dos jogos (ou seja, das reuniões) dos dois BCs. É "super quarta" – uma das quartas-feiras nas quais as reuniões dos comitês de política monetária dos EUA e do Brasil acontecem na mesma data (isso só vai acontecer mais uma vez neste ano, em setembro).
E o mercado, pelo jeito, está entendendo que uma alta de 0,75 pp por lá está devidamente precificada (ou seja, que as bolsas já caíram o que deveriam cair), e o mercado amanheceu otimista, com os futuros dos EUA em alta.
Já o Bitcoin segue seu calvário. Por volta das 6h30 operava a US$ 20.180 – menor cotação desde dezembro de 2020. US$ 20 mil é o "patamar mágico" da cripto: o mercado dela passou a crescer exponencialmente quando esse valor foi ultrapassado, há um ano e meio (em novembro de 2021, chegaria a US$ 67 mil). Caso aconteça o inverso, com o Bitcoin caindo abaixo de US$ 20 mil, espera-se uma contração da mesma magnitude no mercado cripto.
No início da manhã, o Bitcoin recuperou um pouco do terreno – estava a US$ 20.639 às 7h55. Mesmo assim, a perda nas últimas 24 horas era de grossos 8%. Nos últimos sete dias, -32%.
Bons negócios.
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