GOVERNO FEDERAL DISTORCE DADOS SOBRE VIOLÊNCIA PARA DEFENDER ACESSO A
ARMAS
O UOL Confere mostra hoje como o governo federal usou sua comunicação
oficial para distorcer a evolução dos números de mortes violentas e fazer uma
relação enganosa entre estes índices de criminalidade e o aumento no número de
armas novas no país.
No dia 27 de setembro, em um post sobre os mil dias do governo de Jair
Bolsonaro (sem partido), a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da
República) publicou um gráfico acompanhado da frase "mais legítima defesa,
menos mortes e violência".
Uma análise enviada pelo Instituto Sou da Paz, ONG que analisa políticas
de segurança pública, mostra que o gráfico da Secom usa uma escala que distorce
a evolução dos números de novas armas, homicídios dolosos, lesões corporais
seguidas de morte e latrocínios (roubo seguido de morte).
Isso porque a Secom optou por retratar dados de magnitudes muito
diferentes como se tivessem a mesma ordem de grandeza. Enquanto o número de
novas armas chega à casa de 180 mil em 2020, o de homicídios dolosos nunca
passa de 60 mil nos anos mencionados no gráfico. Os de latrocínios não
ultrapassam 2.500, e os de lesões corporais seguidas de morte não atingem mil.
No mesmo post, a Secom também compara dados anuais de 2015 a 2020 com
dados parciais de janeiro a maio de 2021.
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Fonte: Lúcia Valentim Rodrigues, do UOL
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