OLHAR APURADO | QUINTA-FEIRA, 07 DE OUTUBRO DE 2021

GOVERNO BOLSONARO TENTA MINAR NA ONU PROJETO DE NOVAS OBRIGAÇÕES AMBIENTAIS

 

O Conselho de Direitos Humanos da ONU vota amanhã (8) um projeto de resolução que, se aprovado, cria o direito a um meio ambiente saudável. Histórica, a inovação jurídica ocorre às vésperas da Cúpula do Clima, em Glasgow em novembro, e consolida um novo direito que pode obrigar governos a agir e dar poderes para indivíduos e grupos ambientalistas. A informação é do colunista Jamil Chade.

 

Mais de 155 países reconhecem alguma forma de direito a um ambiente saudável. Mas, agora, a ideia é de que tal direito tenha um peso internacional e que abarque um reconhecimento do direito a um meio ambiente "seguro, limpo, saudável e sustentável".

 

Observadores na ONU estimam que a iniciativa fortalecerá grupos que possam ser alvo de danos ambientais e ampliará a pressão sobre governos para que garantam um meio ambiente seguro como parte de suas obrigações de estado.

 

Mas se o projeto ganhou força nos últimos anos e passou a ser alvo de intensas negociações, o governo brasileiro se lançou num esforço diplomático para tentar impedir que o novo direito signifique uma perda de soberania do país sobre recursos naturais ou sobre a Amazônia.

 

Nas últimas três semanas, negociações nos bastidores viram governos em posições contrárias e debates sobre o que significaria a criação do direito a um meio ambiente saudável. Só o governo da Rússia apresentou várias emendas ao projeto e tentará frear sua aprovação na íntegra.

 

Durante as reuniões para negociar o texto, o governo brasileiro tentou que o rascunho da resolução contasse com um parágrafo extra, no qual seria dito de forma aberta que nada daquele novo direito significaria o questionamento da soberania nacional.

 

Fontes que participaram do processo de debates confirmaram ao UOL que o governo atuou de forma para enfraquecer ou pelo menos tirar o peso de determinados trechos do documento.

 

Mas o projeto brasileiro não vingou e os autores da proposta de resolução deixaram as sugestões do Itamaraty de fora. Sem alternativa, o Itamaraty apresentará uma emenda ao texto.

 

Com a emenda apresentada, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) espera traduzir em texto oficial sua posição que ele vem martelando a cada encontro internacional: a Amazônia é brasileira e o governo não aceitará ingerências.

 

Na newsletter Olhar Apurado de hoje, trazemos uma curadoria com os pontos de vista dos colunistas do UOL, que acompanham de todos os ângulos a repercussão do noticiário.

 

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