RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA MANHÃ | SEXTA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO DE 2021
Documentos do governo dos Estados Unidos mostram que o país
acompanhou de perto a operação da ditadura militar que resultou no assassinato
de Carlos Lamarca, capitão do Exército e comandante guerrilheiro cuja morte no
interior da Bahia aconteceu há exatos 50 anos.
O UOL teve acesso a arquivos dos chamados
"disclosed documents" do Departamento de Estado dos EUA, sobre o
período da ditadura militar brasileira. Muitos ainda possuem trechos censurados
pela National Security Agency/Central Security Service (NSA/CSS).
O repórter Eduardo Reina analisou
18 relatórios, informes, telegramas e comunicados ao Departamento de Estado dos
EUA enviados pela representação no Brasil entre fevereiro de
1969 até setembro de 1971. Todos relatam sobre a vida de Lamarca e integrantes
de seu grupo, como o então sargento Darcy Rodrigues, além de outras lideranças
da VPR e do MR-8.
Um dos protagonistas da luta armada, Lamarca havia desertado do
Exército aos 32 anos, no ano de 1969, com um grupo que levou 63 fuzis e
metralhadoras de um quartel em Osasco, na Grande São Paulo. Líder da VPR
(Vanguarda Popular Revolucionária), protagonizou ações espetaculares, a exemplo
do sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, em 1970, que resultou na
libertação de 70 presos políticos.
Telegrama enviado pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil,
William Rountree, em 26 de agosto de 1971, mostra ainda que a caçada a Lamarca
era acompanhada de perto pelo governo dos EUA.
"O DOI-Codi [Destacamento de Operações e Informações - Centro
de Operações de Operações e Defesa Interna, órgão repressor da ditadura]
organizou operação para capturar Lamarca, e creem que ele agora se encontra
cercado, com apenas 40 por cento de chances de escapar ao cerco", escreveu
Rountree ao Departamento de Estado em Washington.
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