NA ONU, O FANTÁSTICO MUNDO DE BOLSONARO NÃO CONVENCE NINGUÉM
Depois de uma série de vexames preliminares, ocorridos desde que
chegou a Nova York, o presidente Jair Bolsonaro deixou
o vexame principal para hoje, no seu discurso na assembleia geral da ONU. A
opinião é do colunista Chico Alves.
Segundo ele, como de costume, Bolsonaro mentiu e distorceu fatos
para, "mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto
nas televisões". O presidente tem razão: o país que Bolsonaro apresentou
no discurso é completamente divergente da realidade.
Começou repetindo a lenga-lenga de que seu governo não tem
corrupção. Desconsidera a acusação contra o ex-ministro do Meio Ambiente
Ricardo Salles, que, segundo a Polícia Federal, seria parceiro de
contrabandistas de madeira; ignora a estranha negociação para compra da vacina
indiana Covaxin, com garantias falsas e suposto pedido de propina por um
servidor do Ministério da Saúde.
Um momento sublime de cinismo ocorreu quando Bolsonaro tratou do
meio ambiente. Não ficou sequer ruborizado ao dizer que "nenhum país do
mundo possui uma legislação ambiental tão completa como a nossa", como se
diariamente seu governo não fizesse o possível para facilitar a vida dos
transgressores e agressores da natureza.
Encaminhou-se para o final mentindo que apoiou a vacinação, quando
na verdade atrasou absurdamente a compra de imunizantes e fez o possível para
desacreditá-los. No delírio mais grave, voltou a falar de "tratamento
inicial" (leia-se cloroquina e ivermectina.
A explanação fantasiosa de Bolsonaro não fez a mínima diferença
para os governantes que a assistiram, já que têm informações suficientes para
saber que a maior parte de suas palavras se desmancha no ar.
Na newsletter Olhar Apurado de hoje, trazemos uma
curadoria com os pontos de vista dos colunistas do UOL, que
acompanham de todos os ângulos a repercussão do noticiário.
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