AGORA | STJ DECIDE POR UNANIMIDADE TORNAR RÉU GOVERNADOR DO AMAZONAS NO CASO DA COMPRA DE RESPIRADORES
Relator no Superior Tribunal de Justiça viu 'justa causa' para
apontar Wilson Lima como 'partícipe' em licitação direcionada e fraude na
aquisição de 28 respiradores. Governador contesta.
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por
unanimidade (12 votos a zero) nesta segunda-feira (20) aceitar denúncia que
torna réu o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).
Ele é acusado pelo Ministério Público de integrar um suposto
esquema de desvio de recursos públicos na compra de respiradores destinados ao
tratamento dos pacientes com Covid.
A denúncia apresentada em abril pela Procuradoria-Geral da
República (PGR) menciona Lima e outros 15 acusados. A PGR estima prejuízo
superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos.
Ainda com a sessão em andamento no STJ, o governador divulgou a
seguinte nota, contestando as acusações contra ele:
“Sobre a decisão de hoje, afirmo: as acusações contra mim não têm
fundamento e tampouco base concreta, como ficará provado no decorrer do
julgamento. Nunca recebi qualquer benefício em função de medidas que tomei como
governador. A acusação é frágil e não apresenta nenhuma prova ou indício de que
pratiquei qualquer ato irregular. Agora, terei a oportunidade de apresentar
minha defesa e aguardar, com muita tranquilidade, a minha absolvição pela
Justiça. Tenho confiança na Justiça e a certeza de que minha inocência ficará
provada ao final do processo."
A próxima etapa do caso são os depoimentos de testemunhas e a
coleta de provas. Depois dessa fase, haverá o julgamento, que determinará se os
acusados serão condenados ou absolvidos.
Votos dos ministros
Ao votar, o relator do caso, ministro Francisco Falcão, entendeu
haver elementos suficientes para a abertura de uma ação penal contra o
governador por supostos crimes de peculato, fraude, dispensa indevida de
licitação, organização criminosa e embaraço às investigações.
“Neste exame não aprofundado da matéria, existe justa causa para se considerar o governador do Amazonas partícipe nos delitos de dispensa de licitação direcionada e partícipe da fraude na aquisição de 28 respiradores que tiveram preços elevados com abusividade”, afirmou Falcão.
Segundo o ministro, “não se trata de meras conjecturas, mas de
indícios da participação do denunciado do acompanhamento do procedimento
licitatório”.
O voto do relator foi acompanhado por Nancy Andrighi, Laurita Vaz,
João Otávio de Noronha, Maria Tereza Assis Moura, Herman Benjamin, Jorge Mussi,
Luís Felipe Salomão, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Paulo de Tarso
Sanseverino e Isabel Galotti. Estavam ausentes os ministros Mauro Campbell e Og
Fernandes. O presidente da Corte, Humberto Martins, não apresentou voto.
Defesa
O advogado Nabor Bulhões, responsável pela defesa de Wilson Lima,
afirmou que a denúncia é “verdadeiramente ilegal e abusiva”.
“Poucas vezes vi o Ministério Público atuar tão incisivamente no que eu diria uso abusivo do poder de denunciação”, disse.
Acusação
Segundo a denúncia, em uma manobra conhecida como triangulação, a
empresa fornecedora de equipamentos de saúde, que já havia firmado contratos
com o governo, vendeu respiradores para uma adega por R$ 2,48 milhões.
No mesmo dia, a importadora de vinhos, diz a denúncia, revendeu os
equipamentos para o estado por R$ 2,97 milhões. Após receber valores, a adega
os teria repassado integralmente à organização de saúde.
A subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo afirma no
documento que se instalou no governo do Amazonas, sob o comando de Wilson Lima,
"uma verdadeira organização criminosa que tinha por propósito a prática de
crimes contra a administração pública, especialmente a partir do direcionamento
de contratações de insumos para enfrentamento da pandemia, sendo certo que, em
pelo menos uma aquisição, o intento se concretizou".
O governador Wilson Lima foi alvo de mandados de busca e apreensão
na primeira fase da Operação Sangria, em junho de 2020, e teve parte dos bens
bloqueados pela Justiça. Cinco envolvidos no suposto esquema,
entre eles o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias, chegaram a cumprir prisão
temporária.
Fonte/Foto: Rosanne D'Agostino, G1 —
Brasília/Leandro Guedes, Rede Amazônica


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