EM BELÉM-PA, HOMEM EM SITUAÇÃO DE RUA VÊ NOS ANIMAIS ABANDONADOS UMA COMPANHIA SEGURA
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Ele tem lapsos de memória, mas sobrevive na companhia de cães e com a solidariedade de transeuntes
Com a memória alterada em virtude de acidente sofrido há cerca de oito anos, mas com um carinho imenso com os animais, Gilson Rodrigues, de 43 anos, vive em situação de rua, na esquina das avenidas Alcindo Cacela e Conselheiro Furtado, no centro de Belém, e virou uma espécie de "depósito de bichinhos". Ele convive com animais abandonados e tem neles uma companhia segura. Pessoas deixam cachorros nas ruas e muitos deles acabam encontrando abrigo com Gilson. Acontece que tanto ele quanto os animais sobrevivem a duras penas no espaço público e necessitam de apoio.
Gilson consegue sobreviver
graças à ajuda que recebe de transeuntes, que, solidarizados com a situação do
homem, repassam auxílio em forma de "trocados", roupas usadas que ele
consegue vender e obter renda para alimentação e outros donativos. Entre as
poucas lembranças que guarda, Gilson, à frente da barraca onde vive com os
cachorros, contou para a Redação Integrada de OLiberal.com, que atuou como
mecânico.
Melhores amigos
Como revelou, desde
2013 Gilson sobrevive na rua e convive com todo tipo de pessoa. Sobre o fato de
viver com os cachorros, ele disse: "Tem gente que me julga, tem gente que
me critica, tem gente que julga e não me ajuda, tem gente que elogia...".

Gilson cuida de quatro cachorros, mas conta que já chegou a abrigar dez animais (Sidney Oliveira / O Liberal)
Ele declarou que, no
momento, está com quatro cachorros, mas já teve ocasião de ter até dez cães.
"Eu pego cachorro abandonado por aí, eu cuido; algumas pessoas me ajudam a
castrar, devolvo para a rua, doo castrado", afirmou. "Eu acho que não
estou fazendo mal para ninguém", completou.
Gilson contou que
precisa fazer uma cirurgia de traqueostomia. Ele usa um aparelho na região do
pescoço e não poder falar por muito tempo, sob pena de ter crise de tosse. Com
cicatrizes pelo rosto e em outras partes do corpo, o homem relatou que, pelo
que pouco se lembra, chegou a dar entrada no Hospital Metropolitano de Urgência
e Emergência, em Ananindeua, após ter tomado um choque elétrico.
O homem disse que
passou seis meses em coma e um ano internado. "Desde que eu retornei em
mim, meu deu vontade de cuidar de um cachorro", narrou, marcando sua
retomada de vida em companhia dos animais, que são, como ele mesmo diz, seus
melhores amigos.
Apoio da Prefeitura
Ainda na tarde desta
terça-feira (22), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio do Centro
de Zoonozes, informou que um técnico será enviado para avaliar a situação dos
animais e conversar com Gilson, além de levar os animais para castrar.
“E, se ele permitir,
levar alguns para nossa feira de adoção. Vamos oferecer também um apoio
psicológico para ele", informou a gestão municipal.
Fonte: Eduardo Rocha - O Liberal


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