RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA MANHÃ | SEGUNDA-FEIRA, 03 DE MAIO DE 2021
COM GOVERNO FRAGILIZADO, CPI VAI DEVASSAR MINISTROS DA SAÚDE DE
BOLSONARO
Num momento em que o Brasil passa dos 400 mil mortos
pelo coronavirus e com o governo federal fragilizado na CPI da
Covid, a comissão parlamentar de inquérito estreia nesta semana fase de
depoimentos dedicada a devassar as ações de todos os ministros da Saúde que
passaram pelo comando do presidente Jair Bolsonaro (sem
partido).
Nesta semana, os holofotes estarão em cima de Luiz Henrique Mandetta,
Nelson Teich e, principalmente, Eduardo Pazuello. Estão previstos para depor,
ainda, o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, e o diretor-presidente da
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres.
Pazuello é alvo principal de críticos ao governo
Embora senadores independentes e oposicionistas
considerem que cada ex-ministro da Saúde tenha tido seus erros e acertos, eles
se focarão em interrogar Pazuello por sua gestão ser considerada como a mais
problemática.
Os parlamentares vão insistir em obter
esclarecimentos quanto:
- ao atraso na contratação de vacinas, com recusa de
propostas e supostas obstruções por parte de Bolsonaro;
- ao estímulo do uso de medicamentos de eficácia não
comprovada para o tratamento da covid-19, como a cloroquina, com produção em
larga escala pelo Exército brasileiro;
- à falta de insumos suficientes para pacientes
internados, com destaque à crise de oxigênio hospitalar no Amazonas no início
deste ano;
- a ações de Bolsonaro contra o isolamento social e o
uso de máscaras faciais;
- ao conflito do governo federal com governadores e
prefeitos perante medidas mais restritivas de circulação de pessoas.
O general Pazuello foi quem mais ficou à frente da
pasta até o momento - cerca de 10 meses -, inclusive em meio à aceleração da
gravidade da pandemia no país, e é percebido pelos senadores como o mais
submisso às vontades de Bolsonaro.
Em outubro, por exemplo, após ter sido desautorizado
publicamente por Bolsonaro durante crise envolvendo a possibilidade de compra
da vacina CoronaVac pelo governo federal, Pazuello apareceu ao lado do
presidente, sem máscara, e disse: "Um manda, o outro obedece".
Parte dos senadores avalia que o então ministro demonstrou ali que seguiria
somente a vontade do chefe, independentemente da necessidade da população e de
ponderações científicas.
Cerca de dois meses depois, Pazuello perguntou "para que
essa ansiedade, essa angústia?" ao falar do processo de vacinação contra
a covid-19. Ele era então pressionado para que o Executivo deixasse de lado as
disputas políticas e apresentasse soluções para a imunização. No último dia
25, o general entrou sem máscara em um
shopping de Manaus.
A importância dada a Pazuello se reflete até no
tempo de fala à CPI: a quarta-feira (5) inteira, se necessário, a partir das
10h, sem dividir o dia com outras autoridades. Na terça (4), a oitiva de
Mandetta está marcada para começar às 10h, enquanto a de Teich, às 14h. Na
quinta (6), será a vez de Queiroga e Barra Torres, sem horários definidos até o
fechamento deste texto.
Depoimentos
Nem todos os senadores críticos ao governo concordam
que ouvir mais de um depoente num só dia seja o ideal. Porém, admitem ser
preciso dar uma satisfação rápida à população e, caso o cronograma fosse
diferente, poderia atrasar os trabalhos e diluir a força de cada oitiva.
Há quem argumente também que o tempo de fala está de
acordo com o tempo de permanência de cada um nos cargos, com a aposta numa nova
convocação de Pazuello.
Segundo relatos ao UOL, ninguém será
poupado de questionamentos e críticas. Mas Mandetta não deve ser
"massacrado", na avaliação de um senador da oposição, por ter virado
um forte crítico do governo Bolsonaro desde que saiu do ministério.
Por meio da fala de Mandetta, os senadores buscarão
entender a estratégia adotada no início da pandemia pelo governo federal e
expor ações que Bolsonaro porventura não tenha deixado o Ministério da Saúde
executar.
Os senadores contra o Planalto também vão atrás de
revelar determinações de Bolsonaro à pasta que possam ter prejudicado o
enfrentamento à pandemia no país.
Quanto a Teich, parlamentares ouvidos pela
reportagem avaliam que ele nunca fez críticas mais contundentes ao governo. Ao
mesmo tempo, não está disposto a ser responsabilizado por atos com os quais
discordava de Bolsonaro, e que a CPI eventualmente considere como erros. Assim,
acreditam que o impacto de seu depoimento está mais em aberto.
Na presença de Marcelo Queiroga, os senadores
deverão focar nas ações em exercício pelo Ministério da Saúde, como a entrega
de vacinas e compra de medicamentos, cujos cronogramas realistas continuam a
ser cobrados por parlamentares e mandatários locais, e no planejamento para os
próximos meses. A perspectiva é que o mundo não estará a salvo do coronavírus em
2022.
Antonio Barra Torres, por sua vez,
deve entrar na mira de senadores independentes e opositores especialmente pela
não aprovação do uso da vacina Sputnik V no país. Ao menos 14
estados e dois municípios pediram autorização para a importação do imunizante,
segundo a Anvisa, mas a agência tem negado a liberação
sob a justificativa de falta de comprovação de qualidade e segurança.
O QUE MAIS VALE A PENA SABER
- CoronaVac: 9 capitais suspendem 2ª dose da vacina; mais 7 têm
estoque baixo
- Queiroga diz que estados receberão novas doses da AstraZeneca em
até 48 h
- CPI da Covid vai pedir acesso a gravações das reuniões da Anvisa
- Protesto, show, praia: fim de semana tem aglomerações no Brasil
e no mundo
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Fonte/Foto: Robson Santos, do UOL, em São
Paulo


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