RESUMO DO DIA – EDIÇÃO DA MANHÃ | QUARTA-FEIRA, 05 DE MAIO DE 2021
CPI DA COVID: APÓS MANDETTA CRITICAR DESPREZO DO PRESIDENTE PELA
CIÊNCIA, HOJE É VEZ DE TEICH
Depois de um primeiro dia dominado pelas declarações do ex-ministro
da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a CPI da Covid ouve, a partir das
10h, o depoimento de seu sucessor no cargo, Nelson Teich.
O oncologista iria depor inicialmente ontem, mas a data foi
alterada também após outro ex-titular da pasta durante a pandemia, Eduardo Pazuello, alegar ter tido
contato com duas pessoas que testaram positivo para covid. O general
será ouvido em 19 de maio.
Antes de ser questionado pelos senadores, Teich deverá fazer uma
breve explanação sobre seu mandato de menos de um mês à frente da pasta.
Minoria na CPI, os senadores governistas devem tentar minimizar o depoimento de
Nelson Teich com base no pouco tempo que o médico ficou à frente da pasta.
O depoimento de Mandetta
Hoje crítico de Jair Bolsonaro (sem
partido), Mandetta afirmou que o presidente contrariou orientações do
Ministério da Saúde baseadas na ciência e adotou discurso negacionista que
ajudaram na propagação da pandemia pelo país. Veja algumas de suas falas:
A sensação que eu tinha é que eu era o mensageiro da
má notícia. Sabe quando você dá as notícias que você tem que dar, eu acho que
lealdade é isso, você não deixar a pessoa dizer 'olha, não fui assessorada, não
foi explicado'. Acabou gerando mais distanciamento [entre Bolsonaro e eu].
*
Esse ministro [Paulo] Guedes, era desonesto
intelectualmente, uma coisa pequena, um homem pequeno para estar onde está. Ele
não soube nem olhar para o calendário [de vacinação] para falar 'puxa, não tem
vacina sendo comercializada no mundo...'. Eu só posso lamentar. O ministro da
Economia não ajudou em nada, pelo contrário. Só ligava e falava 'já mandei o
dinheiro, se virem, agora vamos tocar a economia.
*
Fui informado, após uma reunião, que era para subir
para o terceiro andar porque tinha uma reunião de vários ministros e médicos.
Vinham propor esse negócio de cloroquina que nunca eu havia conhecido, porque
ele [Bolsonaro] tinha um assessoramento paralelo nesse dia.
*
Várias vezes, na reunião do Ministério [da Saúde], o
filho do presidente, que é vereador no Rio de Janeiro [Carlos Bolsonaro
(Republicanos)], estava sentado atrás, tomando as notas na reunião. Eles tinham
constantemente reuniões com esses grupos dentro da presidência.
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Fonte/Foto: Clarice Cardoso, do UOL, em São
Paulo
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